Astrônomos estavam observando uma pequena estrela anã vermelha a 500 anos luz de distância da Terra quando se surpreenderam ao perceber que a pouca luz dela estava ficando ainda mais fraca. E rapidamente eles detectaram a fonte dessa mudança: a massa escura de um planeta que passava entre a estrela distante e o ponto de observação na Terra.

A estrela HATS-6 tem cerca da metade do tamanho do nosso Sol, tanto em massa quanto em diâmetro. É uma das menores estrelas que astrônomos já identificaram com um planeta gigante gasoso, e, aparentemente, nossos modelos não conseguem explicar como esse gigante gasoso conseguiu se aproximar tanto da estrela.

O planeta em questão, HATS-6b, tem mais ou menos a massa de Saturno, ou 100 vezes a massa da Terra. Mas por causa da sua distância orbital próxima, o calor da estrela fez o gás de HATS-6b inflar o planeta como um balão de ar do tamanho de Júpiter. Com um período orbital de apenas 3,3 dias, os astrônomos dizem que o planeta está significativamente mais próximo da sua estrela do que o muito menor Mercúrio está do nosso Sol.

Quando sistemas solares se desenvolvem, gigantes gasosos normalmente se formam em regiões distantes, onde gelo e gás são mais abundantes, mas nem sempre esses planetas ficam por lá. Algumas vezes, graças a cutucões gravitacionais de outros objetos, eles migram para orbitar mais próximos às suas estrelas. Isso é normal em todo o processo que os planetas enfrentam até se estabelecerem em órbitas estáveis.

Para exemplificar, na origem do nosso sistema solar a órbita de Netuno era mais próxima ao Sol do que a de Urano, até que uma ressonância orbital entre Júpiter e Saturno criou um distúrbio gravitacional forte o suficiente para empurrar Netuno para longe. Quando Netuno se encontrou com pequenos objetos congelados do Cinturão de Kuiper, sua gravidade empurrou diversos desses itens para longe. Quando esses objetos empurrados do Cinturão de Kuiper encontraram Júpiter, a gravidade do gigante gasoso jogou a maioria deles para longe do sistema solar, mas essa interação também empurrou Júpiter para mais perto do Sol.

Em outros sistemas solares, astrônomos encontraram planetas parecidos com Júpiter orbitando muito mais perto dos seus sóis. Muitos desses exoplanetas possuem órbitas mais próximas do que o caminho de Mercúrio até o Sol, e o calor faz o gás deles expandir. Cientistas chamam esses planetas de “Júpiter quentes”, e eles trabalham em um modelo para explicar como eles se formaram longe das suas estrelas, mas migraram em direção aos seus sóis. HATS-6b parece mais um “Saturno aquecido”, como cientistas chamaram recentemente em um artigo científico publicado no The Astronomical Journal.

Muitos desses planetas considerados como “Júpiter quentes” orbitam estrelas mais parecidas com o nosso Sol. Elas são maiores e mais quentes do que anões vermelhos como a HATS-6, o que significa que exercem uma força gravitacional maior. Astrônomos não sabem como um planeta como HATS-6b poderia ter migrado para uma órbita tão próxima a uma estrela pequena como HATS-6.

Anãs vermelhas, também conhecidas como estrelas anãs-M, são estrelas pequenas e que queimam lentamente com uma longa vida até mesmo para padrões astronômicos. Elas são frescas e fracas, o que torna difícil sua observação com telescópios. A HATS-6, por exemplo, tem aproximadamente 5% do brilho do nosso Sol. Cientistas, no entanto, acham que essa classe representa quase 75% das estrelas na Via Láctea. [The Astronomical Journal]