Pesquisadores do Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo, na Suécia, reproduziram a explosão de uma estrela (supernova) em imagens 3D. Com isso, os cientistas conseguiram revelar detalhes sobre os elementos ejetados durante a chamada supernova. O estudo completo foi publicado na revista científica Astrophysical Journal

A supernova em questão é conhecida como SNR 0540-69.3. Ela tem 1.000 anos e está localizada relativamente próxima da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia a cerca de 160.000 anos-luz de distância da Terra.

Para chegar à representação 3D da explosão da estrela, os astrônomos utilizaram dados dos equipamentos MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer) e X-shooter, usados no Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO). Confira o vídeo.

A animação aponta para o material ejetado durante a explosão da estrela. A parte cinza representa o oxigênio, enquanto a bolha vermelha e azul abaixo da estrutura retrata o hidrogênio. O arco vermelho serve apenas para que nós, meros espectadores, entendamos a estrutura como um círculo.

Descobertas inéditas

A bolha de hidrogênio é inédita para os cientistas, e sua origem ainda é misteriosa. Os pesquisadores não sabem dizer se ela vem de dentro da supernova ou se aponta para o material expelido por camadas externas de uma estrela binária, que estaria ali fazendo companhia. 

Explosão da estrela em 3D
Imagem: Josefin Larsson/Reprodução

O grande anel de oxigênio que rodeia as regiões internas da supernova também é novidade para os astrônomos. Eles descrevem a estrela como uma cebola: quanto mais interna sua camada, mais pesados os elementos que a formam.

Quando a estrela explode, o núcleo colapsa para formar uma estrela de nêutrons, enquanto o enxofre, argônio, oxigênio, hidrogênio e outros elementos mais “de fora” acabam formando uma grande salada — que é ejetada. 

A supernova, que até então era uma cebola repleta de camadas, tem sua estrutura mudada para uma forma completamente assimétrica, com todos os elementos misturados. E isso diz muito sobre a composição do próprio cosmos: sem o material ejetado durante esse processo, o Universo seria formado, basicamente, por hidrogênio e hélio — o que sem dúvidas renderia imagens muito mais sem graça.