Um tipo nunca visto antes de supernova foi detectado pela primeira vez por especialistas. Graças ao radiotelescópio Very Large Array Sky Survey, os astrônomos encontraram evidências de uma estrela “explodindo” prematuramente devido a uma colisão com um objeto extremamente compacto, uma estrela de nêutrons ou um buraco negro.

A primeira pista da nova descoberta veio quando os cientistas examinaram imagens do VLASS, em 2017, e encontraram um objeto emitindo ondas de rádio brilhantes que não haviam aparecido em pesquisas anteriores.

Com isso, os cientistas analisaram dados e descobriram que o fenômeno era um candidato de supernova. Porém, não era uma supernova qualquer. A chamada VT 1210 + 495 formou-se a partir de uma estrela morta que colidiu com sua estrela companheira, fazendo-a explodir precocemente.

“Estrelas massivas geralmente explodem como supernovas quando ficam sem combustível nuclear”, disse o co-autor do estudo, Gregg Hallinan, professor de astronomia da Caltech, em um comunicado. “Mas, neste caso, um buraco negro ou estrela de nêutrons invasores fez com que sua estrela companheira explodisse prematuramente.” Esta é a primeira vez que uma supernova desencadeada por fusão foi confirmada.

Após a descoberta inicial da fonte luminosa incomum, estudos de acompanhamento são consistentes com um remanescente de supernova interagindo com o material circundante, possivelmente ejetado pela estrela nos últimos séculos. Além do mais, eles descobriram que, em 2014, uma fonte não identificada de raios-X foi observada no mesmo local, o que pode ter sido causado pela explosão da estrela que emite jatos de material quase que na velocidade da luz — e tudo isso sugere uma supernova de colapso do núcleo desencadeada por fusão.

A equipe acredita que há muito tempo o sistema consistia em duas estrelas orbitando próximas uma da outra — uma configuração comum no Universo. Assim, uma das estrelas se transformou em supernova, deixando para trás um objeto extremamente compacto, sendo um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. Com o tempo, os dois se aproximaram cada vez mais um do outro e o objeto compacto tirou uma das camadas da estrela, criando um grande círculo de gás ao redor do sistema e acelerando sua colisão.

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Eventualmente, o companheiro atingiu a estrela e mergulhou em seu núcleo. Isso fez com que a estrela colapsasse, provocando uma explosão de supernova. Em particular, o colapso liberou um jato relativístico de material que brilhou fortemente em raios-X, visto nos dados de 2014. Em vez disso, a emissão de rádio foi produzida anos depois, vista em 2017, quando o material da supernova se chocou contra a rosca de gás ao redor do sistema.

“As emissões de raios-X foram um evento incomum”, explicou o pesquisador Dillon Dong. “E o brilho luminoso do rádio indicou que o material daquela explosão mais tarde colidiu com um gás denso que havia sido ejetado da estrela séculos antes. Esses dois eventos nunca foram associados um ao outro, e por conta própria, eles ‘são muito raros.”