Uma equipe de astrônomos chocou o mundo em 2016, quando revelou evidências de um exoplaneta do tamanho da Terra na zona habitável de nosso vizinho estelar mais próximo, uma estrela chamada Proxima Centauri. Os cientistas estão procurando um segundo planeta neste sistema — e talvez, talvez, tenham encontrado algo.

Uma equipe de pesquisadores liderada por Raffaelle Gratton no INAF-Observatório Astronômico de Pádua (INAF é a sigla do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália) está divulgando os resultados de uma pesquisa por este segundo planeta, usando imagens obtidas pelo instrumento SPHERE, no VLT (Very Large Telescope) instalado no Chile.

Eles detectaram algum sinal improvável de ser causado apenas por ruído aleatório. Mesmo assim, são francos sobre os resultados, como mostra seu resumo: “não obtivemos uma detecção clara”. Eles esperam que mais observações em breve confirmem ou descartem o sinal.

“O que estamos vendo é essencialmente um ponto”, explicou Gratton ao Gizmodo. “É mais ou menos o mesmo que quando você olha para um planeta do sistema solar iluminado pelo Sol, a luz do Sol reflete e nós vemos isso. Mas este objeto não está perto do Sol. Está perto de outra estrela, e isso torna as coisas muito mais difíceis, porque está muito longe de nós e muito perto da estrela.”

Os cientistas há muito especulam sobre a possibilidade de outros planetas ao redor de Proxima Centauri. Mas no último mês de janeiro, astrônomos liderados por Mario Damasso, do INAF-Observatório Astrofísico de Turim, descobriram evidências de um segundo exoplaneta.

A luz das estrelas parecia conter um sinal periódico, demonstrando uma mudança na sua velocidade, possivelmente a partir da influência gravitacional de um segundo planeta muito mais distante da estrela do que o primeiro — em torno de 1,48 UA, ou seja, em torno de 1,48 vezes a distância média entre a Terra e o Sol.

Damasso se juntou à equipe de Gratton, e o grupo capturou imagens tiradas pelo Very Large Telescope durante uma pesquisa de exoplanetas chamada SHINE, que durou quatro anos.

Mapas sinal-ruído mostrando exoplanetas candidatos circulados em amarelo. Imagem: Gratton et al

A análise tentou separar o que poderia ser um sinal em meio ao ruído das estrelas de fundo. E havia alguma evidência de um sinal — certamente não há evidência suficiente para ser uma detecção, mas uma mancha de luz cujo comportamento parecia improvável ter vindo apenas do ruído.

Se esse ponto for um planeta, ele deve ter 7,2 ou 8,6 vezes a massa da Terra, dependendo de como eles interpretaram os dados. Eles até especularam, com base em seus cálculos, que um planeta assim poderia ter um sistema de anéis ou nuvens de poeira em torno dele, de acordo com o artigo a ser publicado na Astronomy and Astrophysics, que notamos graças a um tweet de Lee Billings.

Alycia Weinberger, astrônoma do Instituto Carnegie de Washington, que não participou do estudo, disse ao Gizmodo que ainda não é hora de ficar muito animado. Ela chamou o artigo de um esforço valioso, mas disse que tinha algumas reservas sobre como a equipe calculava suas relações sinal-ruído. Também existem fontes potenciais em segundo plano em alguns dos dados de origem que a equipe usou para comparação.

Enquanto isso, Weinberger e Meredith MacGregor, professora assistente da Universidade do Colorado em Boulder, que não estavam envolvidas no estudo, apontaram que a análise se baseia em evidências da presença de um disco de poeira ao redor do Proxima Centauri. No entanto, observações mais recentes do observatório ALMA no Chile não encontraram nenhuma evidência desse disco. Portanto, MacGregor disse ao Gizmodo em um e-mail que estava muito cética em relação ao resultado.

Guillem Anglada-Escudé, outro astrônomo não envolvido no estudo e que foi o responsável por liderar a equipe que descobriu o primeiro planeta ao redor de Proxima, disse ao Gizmodo que gostou do estudo, mas enfatizou que ele ainda está em fase preliminar. Ele estava empolgado com o potencial de observação de acompanhamento.

“Estas foram imagens de busca que não foram necessariamente otimizadas para esse alvo em particular”, disse ele ao Gizmodo. Em princípio, se os observatórios retomarem as operações, uma observação direcionada poderá confirmar ou não a presença do planeta.

Gratton enfatizou que este não é um anúncio de uma descoberta; é apenas o resultado de uma análise que não confirma nem descarta a existência de outro planeta. Mas, com mais análises, podemos ter uma resposta em breve.