Cientistas sugerem há décadas que existe vida nas nuvens de Vênus. A hipótese considera a atmosfera rica em dióxido de enxofre do planeta, em que a concentração do gás é maior perto da superfície e diminui conforme a altitude cresce. 

A diferença levava os pesquisadores a crer que microrganismos vivos que habitavam o céu do planeta estavam utilizando o enxofre como fonte de alimento. Mas um estudo recém publicado na revista Nature Communications destrói essa ideia.

Cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, simularam reações metabólicas que que micróbios teriam que executar para produzir energia a partir do dióxido de enxofre. Ao final, não encontraram sinais de cocô microbiano (ou seja, resíduos dessas reações) que apontassem para a presença de vida em Vênus.

Os pesquisadores, claro, esperavam confirmar a existência de vida extraterrestre. Porém, a negativa não faz com que o trabalho seja totalmente perdido. Ainda há outros planetas capazes de abrigar vida, e os aprendizados trazidos neste estudo poderão ser aplicados em outros sistemas. 

Além disso, os resultados devem orientar observações do Telescópio Espacial James Webb, que será capaz de detectar essas bioimpressões (como cocô de micróbios) nas atmosferas de exoplanetas distantes. O telescópio, aliás, deve enviar suas primeiras fotos coloridas ligadas à missão no dia 12 de julho.

Quanto à possibilidade de vida na atmosfera venusiana, essa permanece um mistério. “Queríamos que a vida fosse uma explicação potencial, mas quando executamos os modelos, ela não é uma solução viável. Mas se a vida não é responsável pelo o que vemos em Vênus, isso continua um problema a ser resolvido – ainda há muita química estranha para entendermos”, explicou Jean Jordan, um dos autores do estudo, em comunicado.