Este mês, a Associação Nacional de Jornais criou uma polêmica envolvendo o Google: recomendou que as 154 publicações afiliadas à entidade saíssem do Google Notícias. E segundo a própria ANJ, quem saiu não perdeu muita coisa.

A entidade diz que houve uma queda de 5%, em média, no tráfego de sites que saíram do Google Notícias. Para a ANJ, esta é uma boa notícia, mas as tensões com o Google ainda não acabaram.



Carlos Müller, assessor de comunicacão da ANJ, lembra que alguns portais de notícias ainda estão no Google News, mas que ele se tornou “irrelevante” com a debandada:

“O fato é que o Google Notícias é absolutamente irrelevante no Brasil… Se você entrar agora no Google Notícias e pesquisar ‘presidente Dilma’, você vai ver que nenhum site jornalístico dos principais jornais do país está ali.”

O Google discorda, mas em uma busca rápida, é possível notar que veículos grandes como Folha, Estadão, O Globo, O Estado de Minas e Zero Hora não estão mais lá. Vale notar que estes sites permanecem nas buscas do Google: foi afetado aqui apenas o agregador Google Notícias.

E como trazer esses jornais de volta? A ANJ quer dinheiro: “entendemos ser justo algum tipo de remuneração”, diz o diretor executivo da entidade, Ricardo Pedreira, ao Centro Knight. A entidade diz que o Google lucra com o conteúdo dos outros sem pagar por isso – mesmo que ele use apenas a manchete e o início do texto.

Mas especialistas apontam que a decisão da ANJ não se trata apenas de dinheiro: trata-se de poder. Os jornais não querem intermediários entre elas e o leitor: era assim que funcionava com o jornal impresso, afinal. Com a decisão da ANJ, o Google Notícias terá dificuldade em se tornar um portal de notícias, e em ameaçar o tráfego de jornais tradicionais.

A polêmica não se restringe ao Brasil: na França, um projeto de lei prevê que sites de busca paguem a jornais se citarem seu conteúdo. O Google ameaçou excluir os jornais franceses das buscas caso a lei seja aprovada, e Eric Schmidt irá à França para tentar um acordo com o governo do país.

Voltando ao Google Notícias brasileiro, há algo interessante que notamos: veículos que só existem na internet – como G1, Terra e Último Segundo/iG – seguem no Google News. É um sinal de que, quando o futuro das notícias for totalmente online, a ANJ provavelmente não terá poder para boicotar o Google. Enquanto esse futuro não chega, o News perde um pouco sua relevância. [Centro Knight]