O soldado Bradley Manning foi condenado a 35 anos de prisão, por roubar documentos do governo americano e compartilhá-los com o WikiLeaks. A sentença, proferida pela juíza (e coronel do Exército) Denise Lind, é menor do que os 60 anos que o governo inicialmente pediu.

Manning, de 25 anos, será dispensado com desonra do serviço militar e também perderá todo o salário e subsídios. Ele, no entanto, poderá obter liberdade condicional depois que cumprir um terço de sua pena.

Em 2010, o jovem soldado forneceu mais de 700 mil arquivos secretos, entre eles 250 mil telegramas diplomáticos, para o Wikileaks. Ele tinha acesso aos dados pois trabalhava como analista de inteligência em Bagdá, Iraque.

Mas Manning logo foi descoberto: ele enviou uma mensagem instantânea para o hacker Adrian Lamo se gabando do que fez; Lamo então o delatou. Em maio de 2010, Manning foi encarcerado em uma solitária da prisão militar em Quantico, onde ele foi submetido a um “tratamento cruel e degradante”, segundo a ONU.

Nesse meio tempo, Julian Assange divulgava as informações confidenciais através do Wikileaks. Em dezembro de 2010, após publicar milhares de documentos expondo os EUA e vários outros países, ele foi caçado pela Interpol, sob a acusação de estupro. Desde 2012, ele mora na embaixada do Equador em Londres, após receber asilo diplomático.

Julgamento

O julgamento de Manning só começou efetivamente este ano. E há um mês, parecia inteiramente provável que ele passaria a vida atrás das grades. Ele foi acusado de ajudar o inimigo – algo que lhe daria prisão perpétua – mas não foi condenado desse crime. Manning foi punido principalmente por violar a Lei de Espionagem e por roubar propriedade do governo dos EUA.

A juíza reduziu sua pena em 112 dias porque ele sofreu maus tratos na prisão de Quantico. A pena também foi reduzida porque Manning já estava preso há alguns anos. No total, foram 1.294 dias de crédito.

A parte mais relevante da condenação de Manning está em como ele foi tratado severamente pelo governo. Ele sofreu abusos na prisão, e passou centenas de dias detido pelos militares – e sem receber julgamento.

Algumas pessoas dizem que ele é um herói; quando ele saiu da sala do tribunal, pessoas gritaram: “Vamos continuar lutando por você, Bradley”. Mas, por suas ações, o jovem analista de inteligência militar agora vai passar décadas na prisão. Será que seu sacrifício valeu a pena? Assim como o caso Edward Snowden, o tempo dirá.

Enquanto isso, nos perguntamos o que há no enorme arquivo criptografado que o Wikileaks divulgou há alguns dias… [Guardian e G1]