Desde a primeira edição da Campus Party em São Paulo, a vida de quem decide passar dias e noites nas barracas não é das mais fáceis. Se instalar não é simples, deitar no chão (ou bem perto dele) por vários dias não é moleza, e aguentar a bagunça não é para poucos. Mas, em Recife, o drama do geek brasileiro (entra música tensa) é ainda maior por causa de 438 passos.

Dois prédios estão sendo utilizados na Campus Party de Recife. O principal, chamado Chevrolet Hall, é onde acontece a maioria dos eventos: as longas mesas entupidas de computadores estão lá, o palco principal e mais seis palcos menores se espalham por um grande espaço, e ali é oficialmente a Campus Party. Já o segundo prédio, o centro de convenções, é a “área aberta” e gratuita do evento, onde qualquer um pode entrar sem ter que exibir um crachá ou credencial, e pode acompanhar algumas palestras e cursos.

Da porta de vidro do primeiro local onde estão 409 barracas até a entrada do prédio principal, são necessários 438 passos. Podemos argumentar, claro, que movimentar o corpo é ótimo, ainda mais para pessoas que passarão tantas horas sentadas e mergulhadas em computadores. Mas há um problema maior: o clima inconstante de Recife no mês de julho. Em três dos cinco dias de evento, a chuva castigou a cidade sem nenhum perdão.

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No primeiro dia, diversas pessoas ficaram ilhadas no centro de convenções, e os que se arriscaram, chegaram do outro lado encharcados. “Já perdi todos os meus pares de meia e enterrei dois sapatos na lama”, conta Michelle Souza, 18, que decidiu encarar a maratona nas barracas pela primeira vez este ano. As toalhas penduradas nas barracas não são nenhuma homenagem ao dia do orgulho nerd – são, na verdade, itens imprescindíveis e utilizados o tempo inteiro pelos campuseiros.

Mas, pelo menos de dia, a área escolhida para as barracas é extremamente calma – dividida em três locais, as mais de mil barracas ficam em locais amplos e silenciosos, ótimo para aqueles que viraram a noite jogando e comendo pizzas descansarem mesmo com a luz do dia. E sempre torcendo para que na hora que os olhos abrirem, a chuva torrencial não tenha voltado.

O Gizmodo Brasil viajou para Recife a convite da Telefônica.