Algumas pessoas de Arlington, em Washington, descobriram uma carcaça de uma bomba de guerra cheia de tesouros de 1934. Mas parece que alguém, neste meio tempo, conseguiu dar uma olhada no que tinha dentro. Independente do que estava dentro da carcaça, alguém deixou uma nota que diz: “Muito obrigado pelo conhaque.”

A carcaça estava em exposição no memorial American Legion Post 76, onde dois voluntários decidiram, recentemente, que a peça deveria ser colocada no chão. Eles removeram a “cabeça” do artefato e ficaram chocados ao descobrirem um monte de documentos, revistas, um menu de um hotel local, e um isqueiro de trincheira da Primeira Guerra Mundial.

Apesar de tudo, essa não foi a primeira vez que a cápsula fora aberta. Ainda não está claro exatamente quantas vezes ela foi acessada no passado, mas nós sabemos que foi aberta pelo menos uma vez desde 1934: não só havia uma nota dentro do recipiente dizendo que citava o conhaque, como trechos de jornais e revistas que estavam guardados em sacos zip-loc que, com certeza, não existiam em 1934. Ninguém do memorial se lembra como ou quando a peça foi comprada.

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Conteúdos presentes na cápsula do tempo, que incluem um isqueiro de trincheira, um menu do Hotel Monte Cristo, uma revista Legion e trechos de jornais (Kirk Boxletiner/Arlington Times)

O pessoal do American Legion Post 76 agora considera colocar algo atual dentro da carcaça junto com os antigos documentos, criando uma espécie de cápsula do tempo com alguns problemas de cronologia.

Se eles decidirem colocar algo, deverão se confrontar com uma das mais difíceis questões encontradas por gente que faz cápsulas do tempo no século 21: qual meio atual será “à prova de futuro”?

“Nós conversamos sobre armazenar música e fotos em pendrives”, disse Randy Harper, um dos caras que descobriram a cápsula do tempo, ao Arlington Times. “Dependendo de como as tecnologias de armazenamento progredirem no futuro, temos medo de que as próximas gerações vejam esse itens e digam: ‘que negócios são esses e o que devemos fazer com eles?”.

É uma questão difícil. Eu tenho discos rígidos de mais de dez anos (com portas firewire) que eu não consigo acessar com o computador que eu uso. Em minha humilde opinião, eu sugeriria que eles usassem a maior quantidade possível de materiais feitos de papel. E se eles quiserem incluir materiais digitais, usem os dispositivos mais comuns e que tenham as entradas mais convencionais (neste caso, em específico, voto pelo padrão USB), e que tudo isso seja armazenado em formatos de arquivo conhecidos (jpegs, MP3s e documentos do Word?).

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Jornal de 18 de julho de 1934, que estava dentro da cápsula (Kirk Boxletiner/Arlington Times)

De verdade, não sei o que vai durar até o futuro. Mesmo o papel corre o risco de degradar com o tempo. Devemos lembrar também que quem mexeu antes no conhaque o fez antes de a bebida ter vazado nos papeis e nos outros itens.

Independente do que as pessoas do American Legion Post 76 decidirem fazer, eu não sugeriria o acréscimo de mais um conhaque ou quaisquer bebidas alcoólicas. Se ladrões não retirarem a garrafa antes, ela se tornará em um potencial perigo para papeis ou eletrônicos que estão colocados dentro deste tesouro da década de 1930. Criadores de cápsulas do tempo deveriam sempre manter a bebida com eles, pois ela cai muito melhor dentro da barriga.

As fotos foram tiradas por Kirk Boxleitner, e estão sendo usadas com a permissão do Arlington Times.