Celular de Bolsonaro foi apreendido: como acontece a perícia?

Confira como a Polícia Federal realiza a perícia em um aparelho celular apreendido. Para chegar aos dados, são usados softwares e cabos especiais. Confira mais
Bolsonaro tem celular apreendido pela PF
Imagem: Presidência da República/Divulgação

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve seu celular apreendido pela Polícia Federal em operação que investiga uma possível falsificação na sua carteira de vacinação, bem como de sua esposa Michelle e da filha Laura.

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A PF cumpriu nesta quarta-feira (3), em Brasília, um mandato de busca e apreensão na casa de Bolsonaro em Brasília. A operação investiga a atuação de um grupo ligado ao ex-presidente que teria inserido dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde.

A intenção era facilitar a entrada nos Estados Unidos de Bolsonaro, familiares e auxiliares do ex-presidente, sem cumprir as exigências obrigatórias de imunização. A operação da PF visa apurar o caso e, para isso, confiscou o celular de Bolsonaro que, agora, vai passar por perícia.

O que o ex-presidente disse

Bolsonaro afirmou que não precisou fornecer um código de desbloqueio porque seu celular não tem senha. “Não tenho nada a esconder”, declarou à imprensa, na frente de sua casa. Ele negou ter participado de qualquer fraude envolvendo seus comprovantes de vacinação. Ao contrário do que foi divulgado para a imprensa inicialmente, Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, não teve seu telefone apreendido.

16 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva em Brasília e no Rio de Janeiro, ao todo, estão sendo cumpridos. Isso envolve nomes próximos a Bolsonaro, como o tenente-coronel Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens.

Segundo a PF, o grupo teria inserido dados falsos de vacinação contra a Covid-19 em sistemas do Ministério da Saúde entre novembro de 2021 e dezembro de 2022, alterando a verdade sobre a condição de imunizado dos beneficiários. Com isso, essas pessoas puderam emitir os respectivos certificados de vacinação e utilizá-los para driblarem as restrições sanitárias vigentes impostas pelos poderes públicos (Brasil e Estados Unidos) destinadas a impedir a propagação da doença contagiosa.

Bolsonaro foi intimado a depor ainda hoje na Polícia Federal, mas disse que não irá fazê-lo até ter acesso ao texto do processo.

Como será a perícia no celular de Bolsonaro?

Para acessar smartphones, é necessária uma ordem judicial que dará aos peritos da PF a permissão para utilizar técnicas para liberar o acesso ao celular de Bolsonaro.

Uma das etapas mais importantes da investigação criminal é a análise dos dados armazenados nos celulares e eletrônicos dos suspeitos. É possível, com a perícia, encontrar vestígios de interações entre pessoas e o registro de atividades na internet. Esses rastros até podem ser apagados pelos usuários de forma superficial, mas deixam pegadas que podem ser acessadas pelos peritos.

Boa parte dos dados de apps ou do sistema deletados pelo usuário ainda continuam disponíveis por um tempo no aparelho — que, depois de excluídos da superfície, passam um tempo em uma espécie de lixeira. Só que, conforme novas informações são gravadas, esses dados mais antigos acabam sendo sobrepostos. Posteriormente, são excluídos de vez.

Entre as informações que podem ser acessadas há ligações, contatos, áudios, fotos e vídeos, documentos. E também logins e senhas associados ao dispositivo, além localizações e histórico de pesquisas, por exemplo. Informações disponíveis na nuvem e, portanto, não apenas as do aparelho, também podem ser acessadas.

Softwares e cabos especiais

Para chegar a esses dados, os especialistas utilizam softwares e cabos especiais que conseguem burlar as proteções do sistema operacional do celular. Isso é necessário porque a Justiça não pode obrigar alguém a fornecer dados que produzam provas contra si.

“Os rootkits [kits de desbloqueio de celulares] modificam as permissões do aparelho, rompem o processo de autenticação, criam um novo usuário e abrem um novo caminho de acesso. É um programa que identifica propriedades e constrói uma nova forma de operar no celular sem precisar da senha, mas depende das vulnerabilidades do sistema”, explicou Hiago Kin, presidente da Abraseci (Associação Brasileira de Segurança Cibernética), em entrevista ao UOL Tilt.

Como destacou esta outra matéria do UOL, o primeiro passo costuma ser colocar o celular apreendido em modo avião, desligando wi-fi e GPS. Esta é uma forma de impedir que pessoas tentem acessar de forma remota o telefone apreendido, comprometendo a investigação.

Depois, especialistas podem usar ferramentas forenses puxam para uma outra máquina as informações guardadas no aparelho. Daí vem o trabalho de organizar o que existe ali, separando os diferentes tipos de arquivos e “pegadas” que sejam interessantes para a investigação que está sendo conduzida.

Quando a polícia não consegue invadir o aparelho, ela recorre a empresas privadas de soluções digitais, que são especialistas em encontrar brechas e garantir o acesso completo.

Há modelos mais difíceis de desbloquear?

A dificuldade de desbloquear os dispositivos varia conforme o sistema, o modelo e a marca. A cada novo lançamento —que são frequentes a cada ano— especialistas e empresas precisam se atualizar para encontrar novas formas de acessar os modelos e explorar vulnerabilidades. Um iPhone 5 é mais simples de desbloquear do que um iPhone 12, por exemplo.

Da mesma forma, é mais difícil invadir um celular do que um computador, porque os PCs têm três sistemas estáveis e bem definidos de organização (Windows, Linux e MacOS). Enquanto o sistema Android é aberto e cada fabricante faz suas próprias configurações.

Uma coisa é fato: não há sistema totalmente seguro. Por isso, é importante para o proprietário do celular manter seu sistema sempre atualizado.

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