Um estudo publicado no The Journals of Gerontology indica que o povo indígena Tsimane tem chances reduzidas de atrofia cerebral — doença que aumenta o comprometimento cognitivo, declínio funcional e demência — por conta do estilo de vida saudável.

A pesquisa foi feita com 746 participantes com idades entre 40 e 94 anos, sendo 396 homens e 350 mulheres, comparados a populações dos Estados Unidos e da Europa com a ajuda da Equipe do Projeto de História de Vida e Saúde Tsimane.

Os pacientes foram levados para uma cidade mais próxima, em uma viagem de dois dias para realizarem uma tomografia cerebral, com finalidade de medir o volume do cérebro e do crânio. Como resultado, os pesquisadores perceberam que, em média, os indivíduos Tsimane experimentam reduções mais lentas no volume cerebral à medida que envelhecem em comparação com as pessoas analisadas em estudos anteriores envolvendo populações de Hamburgo (Alemanha), St. Louis (EUA) ou Rotterdam (Holanda). Essas populações teriam um aumento de cerca de 70% na velocidade da perda do volume cerebral.

“Os Tsimane nos forneceram um experimento natural incrível sobre os efeitos potencialmente prejudiciais dos estilos de vida modernos sobre nossa saúde”, disse o neurocientista Andrei Irimia, da Universidade do Sul da Califórnia à publicação.

Todavia, por conta de uma série de limitações nas ressonâncias, esse número de 70% é provavelmente visto apenas como um guia para a análise. Entretanto, é a melhor sugestão de que práticas saudáveis podem ajudar na redução de doenças.

“Nosso estilo de vida sedentário e dieta rica em açúcares e gorduras podem estar acelerando a perda de tecido cerebral com a idade e nos tornando mais vulneráveis ​​a doenças como Alzheimer “, disse o autor sênior e antropólogo Hillard Kaplan da Universidade de Chapman, que estuda o povo Tsimane por quase duas décadas.

Estudos anteriores

O resultado positivo pode ser associado ao estudo publicado no The Lancet em 2017, que indica os Tsimane como os ‘corações mais saudáveis ​​do mundo’, com os níveis mais baixos relatados de doença arterial coronariana de qualquer população já registrada. Com isso, os cientistas acreditam que a atrofia cerebral pode ser retardada por fatores associados ao estilo de vida saudável e com baixo risco de doenças cardíacas.

Apesar disso, a atrofia cerebral tem como fator de risco inflamações sistêmicas. A população Tsimane vive isolada nas periferias da Bolívia e em regiões da Floresta Amazônica, seguindo práticas tradicionais de seu modo de vida. Sem contato com a tecnologia ou urbanização, eles caçam, plantam e pescam como seus ancestrais. Por outro lado, são suscetíveis a infecções causadas por vírus e parasitas.

Ainda que as inflamações frequentes sejam fatores consideráveis para os problemas cerebrais, o estudo indica que as doenças cardiovasculares são mais prejudiciais para o envelhecimento do cérebro do que as doenças infecciosas em si.

“Apesar de suas limitações, este estudo sugere que a atrofia cerebral pode ser retardada substancialmente por estilos de vida associados a um risco de doença cardiovascular muito baixo, e que há amplo escopo para intervenções para melhorar a saúde do cérebro, mesmo na presença de inflamação sistêmica cronicamente alta,” diz o estudo.

Agora que sabemos que alimentação não industrializada e uma vida tranquila podem ser determinantes para o envelhecimento saudável do cérebro, devemos introduzi-las no dia a dia e eliminar alimentos gordurosos e cheios de açúcar imediatamente.

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Enquanto isso, cientistas buscam entender como doenças cerebrais como Alzheimer e outras podem ser evitadas. Kaplan indica o caminho: “o povo Tsimane pode servir de base para o entendimento do envelhecimento saudável do cérebro”.

[Science Alert]