O módulo de pouso Chang’e 4 e o rover ​​Yutu 2 estão atualmente em modo de hibernação, encarando uma gélida noite lunar, que dura cerca de duas semanas terrestres. A missão chinesa de explorar o lado mais distante da Lua está fazendo hora extra — ela já dura mais do que o inicialmente planejado. Mesmo assim, novas imagens da face mais distante do satélite da Terra foram divulgadas pela agência espacial da China.

A missão Chang’e 4 da China está indo tão bem quanto se poderia esperar — se é que ela não superou as expectativas. A sonda aterrissou na Cratera Von Kármán, de 186 quilômetros de diâmetro, em 3 de janeiro de 2019. A Von Kármán fica no lado oposto da Lua, perto de seu polo sul. O módulo de pouso, juntamente com seu companheiro, o rover ​​Yutu 2, estão investigando diferenças geológicas e químicas entre o lado próximo e o lado distante da Lua.

A Lua está em rotação sincronizada com a Terra. Seu movimento em torno do próprio eixo está em sincronia com seu movimento ao redor do planeta que orbita. Isso que quer dizer que é sempre um mesmo lado que está voltado para a Terra. A China foi a primeira a colocar uma espaçonave no outro lado, o mais distante, que permanece oculto quando olhamos daqui de nosso planeta. Com todo o respeito ao Pink Floyd, não há “lado escuro” da lua: apesar do apelido popular, ambos os lados têm dias e noites.

Imagem: CLEP / CNSA

A Chang’e 4 e o Yutu 2 sobreviveram a quatro dias e noites lunares, sendo que cada dia e noite na Lua somados equivalem a 29,5 dias na Terra — o dia e a noite lunar têm cada um praticamente a mesma duração, de pouco mais de 14 dias. Desde 12 de abril, a dupla voltou ao modo de hibernação, iniciando sua quinta noite lunar, relata a Planetary Society.

A missão foi projetada para durar três dias lunares, de acordo com a Space.com. Portanto, tudo que rolou desde o final de março conta como um bônus para a Administração Nacional do Espaço da China (CNSA, na sigla em inglês). Se o módulo de pouso e o rover sobreviverem a essa quinta noite lunar, um quinto dia de exploração começando em 28 de abril seria bastante improvável.

Imagem: CLEP / CNSA

O Yutu 2 rover já percorreu um total de 178,9 metros, de acordo com o Centro de Exploração Lunar e Programa Espacial da CNSA, segundo informações da agência estatal chinesa de mídia, a Xinhua. Esta distância excede em muito o terreno lunar coberto pelo seu antecessor. O Yutu 1, durante a missão Chang’e 3, conseguiu percorrer 114 metros antes de parar de funcionar em fevereiro de 2014.

Imagem: CLEP / CNSA

Durante o quarto dia lunar, o Yutu 2 viajou 8 metros entre 29 de março e 1 de abril. O duo foi colocado em modo de hibernação diurna até 8 de abril para evitar que os aparelhos fossem queimados pelo sol. O Yutu 2, então, conseguiu explorar outros 8 metros de 8 a 12 de abril. Quando a quinta noite lunar começou, o veículo adormeceu novamente. Andrew Jones, da Planetary Society, relata:

Não havia indicação inicial de por que o Yutu-2 havia coberto relativamente pouco terreno no dia 4, mas o projetista-chefe do Chang’e-4, Sun Zezhou, disse em uma conferência na Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Nanjing em 11 de abril que o rover estava navegando com cuidado para abordar e analisar espécimes com seu espectrômetro visível e infravermelho (VNIS), de maneira semelhante às atividades realizadas durante o dia 3.

Com um progresso tão lento e constante, funcionários do CNSA relatam que todos os elementos da missão Chang’e 4 — incluindo o satélite Queqiao, que orbita a Lua e é responsável por retransmitir as informações da sonda para a Terra — estão funcionando “nominalmente”, o que entendemos como “o mínimo necessário para se dizer que ainda funciona”.

Uma foto mostrando a sombra e as trilhas do Yutu 2. Imagem: CLEP / CNSA

Além desses detalhes e de algumas novas imagens legais capturadas pela câmera panorâmica do Yutu 2, não há muitas novidades para contar. Os dados científicos atuais ainda estão por vir, e devemos esperar notícias sobre esse assunto durante a conferência Exploração Espacial e Lunar, que será realizada em julho em Zhuhai, China.

[Planetary Society, Xinhua, Space]