Aviso, terráqueos da classe mérdia: até o final deste post, os seus sonhos de viagem espacial de baixo custo serão postergados. Acima: primeiro vôo do WhiteKnightTwo Eve. Crédito da foto: Schereer Scherer.

Will Whitehorn trabalha na Virgin há 22 anos. Antes ele administrava a Galactic, ele mesmo deu o nome, fez missões de busca e resgate para as tentativas de quebrar recordes de balonismo do Sir Richard Branson e voou helicópteros para a British Airways. Eu consegui falar com ele ao telefone por uns minutinhos para falar sobre viagem espacial.

Como foi que a Virgin entrou no ramo de vôo espacial para civis?
Sir Richard sempre esteve no espaço. Na década de 80, ele esteve em contato com Gorbachev para conseguir entrar na Soyuz. E o seu primeiro filme produzido foi The Space Movie (comissionado pela NASA para celebrar o 10º aniversário da missão Apollo).

Mas as origens da Virgin Galactic vieram de uma conversa entre eu, Buzz Aldrin e Sir Richard Branson no inverno de 1996. Nós perguntamos a ele o porquê do programa espacial americano nunca ter lançado naves do ar. Buzz explicou que os EUA tinham o projeto X-15 nos anos 60 e eles já haviam feito lançamentos de teste antes e que os EUA fizeram estas experiências quando Buzz era um piloto para a Marinha na década de 50.

Em 1999, nós decidimos registrar o nome Virgin Galactic sem saber onde encontraríamos uma espaçonave.

Em 2003, Steve Fossett e a Virgin financiaram em conjunto o Virgin Atlantic Global Flyer, um avião que Fossett usaria para circunavegar a Terra com um único tanque de combustível, estabelecendo um recorde. Eu estava vendo Burt Rutan da Scaled Composites construir o voador e notei que ele tinha uma pequena espaçonave no canto da fábrica dele – era a nave (SpaceShipOne) que Paul Allen estava financiando para o Ansari X Prize.

Foi assim que encontramos o nosso construtor de naves.

Como os seus clientes serão preparados para o espaço?
Existe um programa de treinamento de 3 dias na nossa base no estado de Novo México, onde – entre outras coisas – eles receberão treinamento de força gravitacional. Nós já testamos 100 clientes usando uma centrífuga, assim eles entendem as forças envolvidas. Se você olhar para o veículo lançador do WhiteKnightTwo, o casco a boreste* possui uma cabine idêntica à espaçonave (ver abaixo), e o WhiteKnight possui a capacidade única de ser um veículo de treinamento para astronautas, criando forças de até 7Gs. E ele pode ser usado como um avião de gravidade zero, assim os passageiros podem experimentar forças G e zero-G. Quando o WhiteKnight esta levando o SpaceShipTwo e a sua carga de passageiros para a órbita, ele também está treinando os viajantes do dia seguinte dentro do seu casco.

Como será o entretenimento em vôo?
O sistema de entretenimento em vôo não será como um sistema de entretenimento normal. Todos os clientes terão um registro do seu vôo. E muitos dados: eles verão quantos Gs eles suportaram durante a subida, que horas chegaram, etc. Logicamente, o melhor entretenimento em vôo será a vista do planeta Terra; você poderá ver o planeta azul e a escuridão do espaço enquanto está completamente sem peso.

Quando é que o preço vai cair para 10 mil dólares?
Quando o programa se regularizar e conseguirmos bastante volume, poderemos reduzir os custos. Mas acreditamos que após uns 3 ou 5 anos conseguiremos reduzir de 200 mil para 100 mil dólares. Nós conseguiremos baixar para 100 mil, mas duvido que consigamos reduzir a ponto de ficar a 10 mil dólares.

Afinal, a gravidade não entra em promoção.
Exato, a gravidade não lhe dá desconto.

Você já começou a planejar as sacolas de enjôo de zero-G?
A NASA já faz destas. Elas são fáceis de se obter. Mas dos nossos 100 clientes que pusemos na centrífuga, nenhum sentiu enjôo com o teste.

Que outros planos você tem para a Virgin Galactic?
Trata-se também de um sistema científico e industrial. Nós traremos cientistas ao espaço para fazer experimentos em microgravidade. E poderemos lançar pequenos foguetes não-tripulados ou satélites para o espaço, de até 200kg, com um custo muito mais baixo e de forma muito mais segura do que antes.

Por que devemos enviar pessoas para o espaço?
Stephen Hawking acredita que uma quantidade muito grande de cientistas das décadas de 80 e 90 enfiou na cabeça que poderíamos apenas enviar robôs para o espaço. Mas ele disse que é errado pensar desta maneira porque os humanos precisam explorar. E agora sabemos o suficiente sobre o nosso planeta a ponto de sabermos que um evento catastrófico acontecerá em alguns poucos milhares de anos – vulcânicos ou outros – e que teriam uma boa chance de nos eliminar por completo. Nós precisamos ter a capacidade de sair do planeta e só conseguiremos fazer isso se desenvolvermos o vôo espacial tripulado.

Tire-me Deste Rochedo: a dedicatória de uma semana do Gizmodo à ideia de vida humana no espaço.

*NT: esse é o lado direito de quem olha de trás pra frente, para vocês leigos.