O acidente nuclear de Chernobyl na Ucrânia foi um dos piores da história, comprometendo cerca de 2.600 quilômetros quadrados de terra. Depois de décadas isolada, a cidade pode ganhar uma utilidade.

De acordo com a Bloomberg, a Ucrânia está buscando investidores que queiram ajudar na construção de um sistema de energia solar na região. O objetivo é instalar painéis solares até o final deste ano, capazes de gerar mais de 1000 megawatts.

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O plano tem potencial para resolver dois problemas do país. Um deles é trazer produtividade de volta para a área, que ainda se mantém inacessível devido aos danos causados pela exposição à radiação a longo prazo, mas tem muito espaço livre e barato.

“A região de Chernobyl tem um bom potencial para energia renovável” disse o ministro do Meio Ambiente, Ostap Semerak. “Nós já temos linhas de transmissão de alta voltagem que foram usadas previamente nas estações nucleares, a terra é muito barata e temos muitas pessoas treinadas para trabalhar nas usinas.”

A segunda vantagem, e a que parece ser a mais vantajosa para o governo ucraniano, está relacionada à independência energética do país. Obter energia produzida no próprio país iria diminuir a necessidade de obtê-la da Rússia.

Existem tensões políticas entre os dois países, principalmente na região leste de Donbass, que faz divisa com a Rússia, onde conflitos acontecem desde 2014. Rebeldes russos têm invadido o território ucraniano e apesar da cobertura da mídia ter cessado, a guerra continua.

A Ucrânia já diminuiu pela metade o consumo de energia vinda da Rússia, de acordo com a Ukrtransgaz PJSC, e a iniciativa dos painéis solares iria melhorar ainda mais esse número.

Ainda que a construção de uma usina solar não seja tão positiva para a fauna local e existam riscos para quem for trabalhar na construções, o empreendimento levaria empregos à área.

Além disso, Chernoyl tem apresentado melhoras constantes, desde o acidente em 1986. De acordo com a World Nuclear Association, há operações em andamento para construir unidades de contenção ao redor dos reatores nucleares.

Também tem sido feito trabalhos de realocação, em parceria com governos vizinhos como da Belarus, para reconstruir áreas e consertar infraestrutura na Zona de Exclusão. A radiação continua proeminente em muitas áreas, mas vilarejos com menores taxas já podem ser utilizadas com algumas restrições.

Até agora, o projeto da Ucrânia interessou alguns investidores estrangeiros, incluindo duas empresas dos Estados Unidos.

[Bloomberg]