A China já abriga algumas das megacidades que crescem mais rápido no mundo. Agora há um plano para oficialmente fundir várias metrópoles ao redor de Pequim em uma super-megalópole, que vai abrigar o equivalente à população do Sul e Sudeste brasileiro em uma área pouco menor que o estado de São Paulo.

O New York Times teve acesso a documentos de planejamento que mostram como Pequim quer levar a maioria de suas operações governamentais e fábricas para os arredores da cidade, e acelerar as obras para conectar essas áreas.

O objetivo é consolidar a densa área metropolitana chamada Jing-Jin-Ji em uma megarregião economicamente unida. Ela tem 130 milhões de habitantes, seis vezes a população da área metropolitana de Nova York:

Ela se espalharia por 210.000 km², aproximadamente o tamanho do Kansas, e teria uma população maior do que um terço dos EUA. E ao contrário de áreas metropolitanas que cresceram organicamente, Jing-Jin-Ji seria uma criação deliberada. Sua peça central: uma expansão enorme do transporte ferroviário de alta velocidade, para que seja possível se transportar entre as principais cidades dentro de uma hora.

Durante anos, as políticas restritivas de crescimento em Pequim empurraram os moradores e a indústria para fora da cidade, rumo a subúrbios em Tianjin e Hebei que se urbanizaram rapidamente. Mas a construção de serviços necessários nessas comunidades, como escolas e hospitais, foi mais devagar. O transporte é um problema enorme, por exemplo, com trajetos de 40 km que podem levar até três horas:

A infraestrutura também não acompanhou o ritmo. Até recentemente, o transporte ferroviário de alta velocidade não conseguia conectar muitas cidades vitais nos arredores de Pequim, assim como muitas estradas. Relatórios de planejamento dizem que a área tem 18 estradas “decapitadas” – artérias principais construídas em um dos três distritos, mas não vinculadas uma a outra. Uma estrada termina em uma ponte sobre o rio quase seco que separa Yanjiao de Pequim, e permaneceu inacabada por anos.

O plano prevê a eliminação das estradas decapitadas até 2020, e a construção de uma nova linha de metrô. Além disso, o plano atribui funções econômicas específicas para as cidades: Pequim vai se concentrar em cultura e tecnologia. Tianjin vai se tornar uma base de pesquisa para a manufatura. O papel de Hebei está em grande parte indefinido, embora o governo tenha lançado recentemente um catálogo de indústrias menores, tais como mercados têxteis por atacado, a serem transferidos de Pequim para cidades menores.

Muitas das ferrovias de alta velocidade necessárias para conectar a região já estão sendo construídas, assim como quilômetros de torres necessárias para abrigar trabalhadores que se mudarem para a área.

Outros países também têm planos para construir megacidades a partir do zero: a Turquia, por exemplo, está decidindo um local para o seu novíssimo centro econômico.

Mas Jing-Jin-Ji tem uma dinâmica política e o suporte financeiro para que isso aconteça. O plano tem o apoio do presidente Xi Jinping e poderia obter um grande impulso se Pequim (mais especificamente, a cidade próxima de Zhangjiakou) receber os Jogos Olímpicos de Inverno em 2022.

Ou, claro, isto pode só levar à criação de mais cidades-fantasma na China; o país está cheio delas. [New York Times]

Foto por CobbleCC/Wikimedia