China não terá a maior população em 2023; veja qual será o 1º do mundo

Enquanto a China vê queda nas taxas de natalidade, a Índia deve ultrapassar os mais de 1,6 bilhão de habitantes até 2050; e a população mundial atingirá uma marca histórica em novembro. Confira
Imagem: PxHere/Reprodução

Um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado na metade de julho mostrou que, ao contrário do que se esperava, a China não será o país mais populoso do mundo até 2023. A Índia alcançará esta marca. Acompanhe os motivos:

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Segundo o estudo “World Population Prospects 2022”, a Índia deve atingir a população de 1,668 bilhão até 2050. Hoje o país soma 1,412 bilhão de habitantes. A China, hoje com 1,426 bilhão, deve sofrer um declínio populacional nos próximos anos. A expectativa é que sua população recue para 1,317 bilhão até 2050. 

A China não está entre os oito países onde há expectativa de concentração do aumento populacional até a metade do século. São eles: Índia, República Democrática do Congo, Egito, Etiópia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Tanzânia. “Taxas de crescimento díspares entre os maiores países do mundo reordenarão sua classificação por tamanho”, diz o relatório. 

A principal hipótese é que a queda da população chinesa tenha a ver com políticas públicas da década de 1970, que incentivaram a primeira gestação em idades mais avançadas e maior espaçamento entre os filhos.

Em 1978, o então presidente Deng Xiaoping instituiu a “política de filho único”, que afetou a sociedade chinesa como um todo e parece reverberar nas gerações mais jovens.

Enquanto isso, políticos indianos já tentaram reproduzir a mesma política de filho único no país, mas sem sucesso. O governo do estado de Uttar Pradesh –de maior densidade demográfica do mundo, com 240 milhões de habitantes– propôs que os casais com mais de dois filhos fossem impedidos de receber subsídios do governo ou não pudessem se candidatar a cargos políticos.

A cultura familiar local e dificuldade em controlar o avanço populacional, porém, impediram que o projeto fosse adiante.

Desigualdade entre ricos e pobres

O relatório também chama a atenção para o contraste entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento. Pelo menos 46 países pobres –sendo 32 da África Subsaariana– estão entre as populações que mais crescem.

A região deve dobrar o número de habitantes até 2050, de 1,152 bilhão para 2,094 bilhão. Enquanto isso, 61 países mais ricos verão declínios populacionais até 2050 –incluindo boa parte da Europa. Motivo: queda nas taxas de natalidade

Há outro índice importante: estimativas apontam que a população global atingirá a marca de 8 bilhões no dia 15 de novembro deste ano. 

O envelhecimento deve contribuir com o aumento populacional. Em 2022, quase 10% da população global tem 65 anos ou mais. Em 2030, essa proporção deve chegar a 12% e, em 2050, a 16%. Essa será uma realidade mais comum na Europa e América do Norte, onde haverá um idoso a cada 4 pessoas até 2050. 

Crescimento mais lento 

O relatório da ONU também mostra que o “boom populacional” da humanidade está perdendo força. É o ritmo mais lento de crescimento desde 1950. As projeções sugerem que a população global cresça para 8,5 bilhões até 2030. Em 2050, seremos em 9,7 bilhões e, em 2100, em 10,4 bilhões. 

“Esta é uma oportunidade para nos maravilharmos com os avanços na saúde que prolongam a vida útil e reduziram drasticamente as taxas de mortalidade materna e infantil”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres. 

Outras projeções, contudo, divergem dos dados da ONU. Um estudo da Universidade de Washington publicado no The Lancet em 2020 sugere que a população global atingirá o pico de 9,7 bilhões em 2064. Depois, cairá para 8,8 bilhões até 2100. Se as estimativas estiverem corretas, seria a primeira diminuição populacional desde a Peste Negra, no século 14. 

Julia Possa

Julia Possa

Jornalista e mestre em Linguística. Antes trabalhei no Poder360, A Referência e em jornais e emissoras de TV no interior do RS. Curiosa, gosto de falar sobre o lado político das coisas - em especial da tecnologia e cultura. Me acompanhe no Twitter: @juliamzps

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