A discussão pelo corte de impostos na China não é nova, mas a visita do presidente chinês Hu Jintao aos EUA e o discurso em busca de uma relação mais amigável parecem ter acelerado o processo. A pressão partia também de várias empresas, como Apple, HP e Dell, que ainda não têm tanto espaço no mercado chinês. Tim Cook, agora CEO da Apple, chegou a afirmar que, dentre os BRICs, a China é a prioridade da empresa há anos. Será que o corte será o suficiente para as empresas enfrentarem a Lenovo, que tem quase 30% do market share do país, contra 10% da Dell e 9,2% da HP, e ainda joga em casa?

Talvez seja. O corte de 10% tem influência direta no preço de vários aparelhos que fazem muito sucesso no mercado chinês: o imposto cobrado pelo iPad, por exemplo, sairá da casa dos mil yuans (U$151) para 500 yuans (U$75). Mesmo assim, a comparação entre os preços revela uma grande ironia: apesar de ter as principais fabricantes de componentes eletrônicos de diversas empresas gigantescas – incluindo Apple, HP e Dell – os chineses pagam cerca de 6 mil yuans, ou mais de U$900 dólares, por um iPhone 4 de 32GB. O mesmo aparelho é vendido por U$299 nos EUA – num contrato escravo com a AT&T, é claro, mas ainda assim a diferença é cruel.

Ainda assim, o corte dos impostos e a iminente queda dos preços devem empolgar mais do que ficar discutindo este paradoxo industrial. Apesar de tudo, a economia que mais cresce no mundo atualmente tem tudo para bater mais e mais recordes de vendas de eletrônicos nos próximos anos. [Bloomberg e G1]