Com tantas histórias sobre viagens espaciais e planos excêntricos de morar em outro planeta num futuro não tão distante, cabe levantar uma questão pertinente: o que vão comer por lá? Será que, além de folhas, existe outro alimento que possa ser cultivado no espaço?

Essa história poderia ser tirada do filme “Perdido em Marte”, mas não é. Os cientistas chineses Yongming Liu, Gengxin Xie, Qichang Yang e Maozhi Ren, do Laboratório de Biologia Espacial e outras entidades do país, publicaram um artigo na revista Nature no mês passado sobre como a biotecnologia pode ser decisiva no desenvolvimento de diversas plantas na agricultura espacial.

No texto, os cientistas descrevem um experimento de base biotecnológica para produzir um protótipo de batata adequado para humanos no espaço. A ideia inclui uma planta com todas as suas partes comestíveis, mais nutrientes, adaptada a novos ambientes e com uma exigência menor de fertilizante.

A equipe apresentou a estratégia de WBEEP (Whole-Body Edible and Elite Plant) que visa melhorar as culturas espaciais e ajudar a estabelecer uma agricultura espacial eficiente, essencial para a sobrevivência humana no espaço. A estratégia envolve várias técnicas de biotecnologia vegetal como biofortificação, maiores rendimentos e melhor uso de nutrientes pela planta.

Eles acreditam que a batata seja uma dos principais candidatos à agricultura espacial por ter as seguintes vantagens:

  • Alto índice de colheita e produção de tubérculos e tubérculos ricos em carboidratos que podem fornecer uma grande quantidade de energia para humanos.
  • Requisitos simples de processamento de alimentos e horticultura.
  • Alta tolerância contra tensões com a capacidade de se desenvolver normalmente durante o voo espacial.

Além dessas vantagens que tornam a batata em uma escolha perfeita, outro ponto abordado no artigo é como evitar o desperdício do legume, já que após cultivada as folhas e o caule não podem ser consumidos por conterem substâncias tóxicas como solanina, um composto que defende a planta contra pragas, mas também é tóxico para os humanos.

Os cientistas explicam que em sistemas agrícolas espaciais, com ambientes controlados, a resistência das plantas com solanina seria desnecessária. Com a remoção da substância, toda a planta da batata se torna comestível, fornecendo maior quantidade de nutrientes com menor quantidade de insumos possível.

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Segundo o artigo, experimentos foram feitos para mostrar como as plantas crescem e se desenvolvem no espaço, mas a agricultura espacial ainda está em desenvolvimento. Atualmente, apenas vegetais com folhas verdes, como alface e mostarda, são cultivados na Estação Espacial Internacional para fins alimentares.