Lisossomos, estruturas do interior de nossas células, são como coletores de lixo. Eles realizaram a chamada autofagia, degradando e reciclando proteínas e organelas “estragadas” — e garantindo que elas não fiquem vagando de bobeira pelo nosso corpo. 

Como em qualquer cidade, se o caminhão do lixo deixa de passar, as ruas ficam entupidas de sujeira. Esse acúmulo de detritos celulares no corpo pode acabar causando doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

Mas o que exatamente faz o lisossomo parar de funcionar? Essa foi a questão que pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, tentaram responder em um novo estudo publicado na revista científica Cell.

Antes de entender o culpado, vale recorrermos a uma analogia feita neste comunicado pelos próprios cientistas. A temperatura do corpo humano é mantida em 37ºC. Se o valor desce ou sobe para além de uma margem considerável, já corremos para o hospital. Os lisossomos também precisam de um pH específico para funcionar, de 4,6. Qualquer coisa fora disso representa risco de disfunção metabólica. 

Esse pH é mantido graças a um canal iônico (membrana que separa o ambiente interno e externo da célula), que regula a acidez do ambiente. Mas os pesquisadores notaram que devia existir ali alguma proteína que estava permitindo uma entrada maior de prótons, o que causava estragos no lisossomo. 

Os cientistas fizeram, então, uma lista de todos os genes que codificam proteínas de membrana que estão tipicamente presentes nos lisossomos. Assim, chegaram à TMEM 175, uma proteína que, quando sofre mutação, aumenta o risco de doença de Parkinson em cerca de 20%.

Para comprovar a culpa da TMEM 175, os cientistas usaram indicadores fluorescentes para medir a acidez dos lisossomos que se chocavam com as proteínas. Além disso, eliminaram a capacidade de camundongos em produzir a TMEM 175. 

Em ambas as situações, ocorreu uma diminuição na atividade enzimática que quebra o lixo celular. O fato confirmou a teoria dos cientistas de que a proteína com mutação estava vazando prótons para o lisossomo e aumentando o risco de doenças degenerativas.