Os drones ainda podem levantar uma pulga atrás da orelha de muita gente, principalmente no que diz respeito à privacidade e vigilância. Mas esses objetos voadores também podem nos ajudar. E uma equipe de pesquisadores desenvolveu um sistema capaz sobrevoar áreas de desastres naturais para identificar os sons de pessoas gritando por socorro.

O processo de criação do drone em busca de gritos começou com o básico: a listagem de um banco de dados com gritos e outros sons “impulsivos” que as pessoas fazem quando estão tentando chamar a atenção de socorristas. Os sons podem ser qualquer coisa — de batidas, palmas e pisadas a gritos de socorro.

Usando técnicas de deep learning, esse banco de dados foi testado com um conjunto de microfones instalado dentro de um laboratório para ver se o sistema poderia dizer com precisão a diferença entre os sons de humanos em apuros e outros tipos de ruídos. O intervalo entre o sistema de microfone captar o som de um grito e identificar com precisão sua localização para os socorristas foi de apenas alguns segundos.

Os pesquisadores também fizeram testes de esclarecimento de fala, o que lhes permitiu amplificar o som de um murmúrio distante, como alguém falando ao longe, para uma frase cristalina e audível. Isso pode ajudar os socorristas a identificar informações importantes sobre as necessidades específicas das pessoas que estão presas ou com problemas.

Imagem: Macarena Varela/Fraunhofer FKIE
Imagem: Macarena Varela/Fraunhofer FKIE

Completados os primeiros testes, os pesquisadores posicionaram mais de 60 microfones digitais em cima de um drone para levar o sistema para fora do laboratório e colocá-lo em um campo e testá-lo na prática. Diferente dos microfones tradicionais, os digitais não precisam de placa de som e ocupam menos espaço, o que permite instalar os componentes em drones pequenos. Além disso, os microfones não são tão caros, o que barateia os aparelhos.

A nova técnica foi apresentada na última terça-feira (8), na conferência anual da Sociedade Acústica da América. “Se houver um prédio sendo destruído ou uma catástrofe natural, como um terremoto, as pessoas podem ficar presas sob os escombros. É aí que as equipes de resgate precisam reagir muito rapidamente”, disse Macarena Varela, pesquisadora da Fraunhofer FKIE, que trabalhou no projeto e o apresentou no evento. “É difícil para os socorristas encontrarem a localização dessas pessoas, mas poderíamos facilmente ajudá-los se usarmos um drone voando sobre uma grande área, detectando gritos humanos e outros ruídos”, completou.

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Por mais sombrio que possa parecer, os últimos anos mostraram vários casos de uso para esse tipo de tecnologia. Muitas comunidades foram construídas em locais sujeitos a incêndios florestais, furacões, inundações e outras formas de clima extremo. Pessoas que residam nessas áreas e que precisam de ajuda muitas vezes não têm acesso ao celular ou outras formas de comunicação.

“Drones podem cobrir áreas muito maiores mais rápido do que as pessoas no solo, mas é claro que também podem ser usados ​​por equipes de resgate que talvez não estejam ouvindo os ruídos e que podem andar com eles, para que o sistema possa detectar esse ruído”, destacou Varela.

Embora as matrizes maiores funcionem bem no laboratório, Varela disse que ainda não testou o sistema de drones móveis totalmente no mundo real. Ainda assim, ela prevê que esse tipo de técnica, aliada ao dispositivo certo, pode ser muito útil para socorristas que trabalham para cobrir grandes áreas em um curto período de tempo. Outros sensores, como os que podem ser usados ​​para detectar vítimas inconscientes, também podem ser incorporados para ajudar a tornar a operação mais abrangente.