Nesta segunda-feira (12), uma equipe de pesquisadores do MIT relatou que eles haviam conseguido traduzir as vibrações transmitidas pelas aranhas em tons musicais. Além disso, eles levantam a perspectiva de um dia se comunicarem com as aranhas, usando seu mundo vibracional como um meio para a linguagem.

A equipe apresentou sua pesquisa durante a reunião de primavera da American Chemical Society. Para descobrir os sons de uma teia, eles hospedaram uma aranha em seu laboratório e escanearam a teia que ela construiu em seções transversais bidimensionais.

“As aranhas vivem neste universo vibracional. Elas vivem neste mundo de vibrações e frequências, que agora podemos acessar”, disse o coautor do artigo Markus Buehler, cientista de materiais do MIT, por telefone ao Gizmodo. “Uma das coisas que podemos fazer com este instrumento e abordagem é que, pela primeira vez, vamos nos sentir um pouco como uma aranha ou experimentar o mundo como ela.”

Também músico, Buehler regularmente combina seu conhecimento de ciência computacional com composição e faz música a partir de processos do mundo natural. O projeto teia de aranha é maior (literalmente) do que seu trabalho anterior, que se concentrou em traduzir proteínas em composições musicais. Também tem um projeto recente que traduziu em som uma proteína-chave do novo coronavírus.

Se você ficou curioso, saiba que muitas dessas interpretações musicais do mundo estão no Soundcloud de Buehler, além de mais sons que tocam naturalmente em frequências vibratórias além da capacidade do ouvido humano. Mas, como podemos perceber, Buehler e seu time de sete pessoas os transpõem em nossa faixa audível. O artista Tomás Saraceno digitalizou as redes 3D, transformando-as em visualizações que revelam sua verdadeira complexidade.

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“Ao contrário de uma proteína, onde temos que seguir as leis da mecânica quântica, uma teia de aranha segue a mecânica newtoniana”, disse Buehler. “Podemos usar as mesmas equações que usamos para uma corda de violão. As propriedades do material são diferentes, mas essencialmente é a mesma equação para a vibração em si. ”

Mapeada em três dimensões, a teia de aranha parece a imagem espectral de uma nebulosa (como você confere abaixo). A equipe atribuiu frequências sonoras específicas a fios da teia, da mesma forma que o tom de uma corda de violão aumenta à medida que você a encurta. Eles fizeram suas varreduras ao longo da construção da teia, esclarecendo como as vibrações que as aranhas sentem assumem diferentes tons e timbres ao longo do tempo.

Uma imagem sobreposta de diferentes partes da teia da aranha do laboratório. Imagem: Markus Buehler.

Eles estão um passo além de produzir a paisagem sonora da teia. A equipe desenvolveu um programa de realidade virtual em que um espectador assume o papel da aranha e é capaz de “tocar” qualquer parte da teia para ouvir como o som ressoa nela.

Ao tocar a teia, os pesquisadores isolaram o som proveniente de uma parte dela. Caso contrário, disse Buehler, o som seria cacofônico para o ouvido humano. Dependendo da sua perspectiva, a música da teia de aranha pode soar como sinos de vento ou um forte zumbido.

Não é a nossa língua musical nativa, embora tenha uma semelhança com o início de “Me and Your Mama” de Childish Gambino. Para uma aranha, os sons significam sobrevivência, pois podem ouvir o impacto da presa na teia ou sentir o sapateado de um pretendente.

O objetivo de longo prazo é ser capaz de se comunicar com uma aranha em uma teia, disse Buehler. Para iniciar esse processo, os pesquisadores irão “tocar” a teia de uma forma que obtenha uma resposta de sua criadora e residente. Mais tarde, imitar outra aranha na conversa pode abrir o caminho para falar com os aracnídeos.

“As aranhas são silenciosas e a própria teia também é algo que você não associa ao som”, disse Buehler. “Estamos tentando dar voz à aranha… para que possamos um dia ter um bate-papo e talvez tocar uma música juntos e fazer um som.”