Ciência

Cientistas relatam casos de “morte lúcida” em novo estudo

Cientistas identificaram sinais de atividade do cérebro em até uma hora após episódio de quase morte por parada cardíaca
Imagem: Wikimedia Commons/ Reprodução

“Ver a vida passar diante dos olhos”. Frente a algum perigo, muitas pessoas já disseram — e, talvez, sentiram — isso. Contudo, o que realmente se passa na cabeça de uma pessoa que em uma experiência de quase morte ainda é um mistério.

Na prática, falta oxigênio no cérebro durante uma parada cardíaca, o que diminui ou interrompe completamente a atividade cerebral. Até agora, médicos acreditavam que, após o coração voltar a bater, demorava cerca de dez minutos até o cérebro voltar a funcionar. 

Por isso, seria inviável qualquer pensamento durante esse momento. No entanto, uma nova pesquisa publicada na revista Resuscitation desafia essa ideia. 

“Há sinais de atividade cerebral normal e quase normal encontrados em até uma hora de ressuscitação”, disse o Dr. Sam Parnia em uma entrevista ao jornal New York Post.

Entenda a pesquisa

Os pesquisadores norte-americanos analisaram a atividade cerebral e a consciência de 53 pacientes que sobreviveram a paradas cardíacas em 25 hospitais dos EUA e do Reino Unido.

Com os dados em mãos, eles perceberam que os pacientes tiveram picos nas ondas cerebrais gama, delta, teta, alfa e beta. Elas são associadas a funções mentais elaboradas e foram registradas por um eletroencefalograma.

Além disso, em conversa com esses pacientes, os cientistas notaram que os relatos continham lembranças do momento de quase morte. Cerca de 40% dos participantes relataram ter recordações ou pensamentos conscientes durante a ressuscitação

Entre os depoimentos, um sobrevivente contou que viu seu pai enquanto lutava pela vida. Outro pessoa relatou uma mistura de sentimentos como orgulho, amor, alegria e tristeza.

“Na morte, eles têm a percepção de que estão separados de seus corpos e então podem se mover. Mas eles estão naquele quarto de hospital e estão coletando informações. Eles sentiram que estavam completamente conscientes”, explicou Parnia, autor do estudo.

Além disso, uma das experiências mais comuns compartilhadas por pessoas que foram revividas após uma parada cardíaca é uma percepção de 360 graus do espaço ao seu redor.

A consciência e a ciência

A pesquisa evidenciou que o cérebro é surpreendentemente mais resistente à privação de oxigênio do que se imaginava. Para os pesquisadores, o novo estudo consegue mostrar que as experiências de quase morte são únicas e universais, diferentes de sonhos, ilusões e delírios.

Ainda assim, não se sabe ao certo como ou por que essas experiências ocorrem. Os autores do estudo acreditam que tenha alguma relação com o foco operacional do cérebro. 

Uma hipótese é a de que, à medida que o órgão se fecha para se preservar durante a parada cardíaca, o sistema que bloqueia outras funções se desfaz, permitindo o acesso a diferentes aspectos do cérebro.

Os resultados também levantam outro ponto importante: a maneira como os pacientes são tratados neste momento. “O que se torna uma realidade primária é como tratamos outras pessoas”, concluiu Parnia.

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Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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