Alquimia a 2.000 graus Celsius. Um novo estudo do Argonne National Laboratory relata que um grupo de cientistas do Japão, Finlândia, EUA e Alemanha usaram lasers para transformar cimento líquido em um metal semelhante a vidro.

O processo recém-inventado poderia ser benéfico para criar circuitos que resistem à corrosão. A descoberta poderia, no futuro, alterar a forma como são feitos diversos tipos de dispositivos, de iPads a TVs.

O estudo, publicado no periódico The Proceeding of the National Academy of Sciences e acompanhado por arte inspiradora feita no Photoshop (veja abaixo), descreve o processo de aquecimento de um composto de cimento a 2.000°C.

Usando levitação aerodinâmica, que suspende materiais em uma superfície usando a pressão de um gás, a equipe foi capaz de controlar cuidadosamente a forma como o cimento se resfriava. O resultado do superaquecimento foi um superfície, semelhante ao vidro, que pode “prender” elétrons livres – a base necessária para conduzir eletricidade.

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Esta descoberta tem o potencial de mudar a forma como gadgets são feitos. “Este novo material tem muitas aplicações, incluindo resistores de película fina usados ​​em telas de cristal líquido, basicamente o monitor de tela plana onde você provavelmente está lendo isso agora”, diz o físico Chris Benmore no comunicado do Argonne.

E, no futuro, o mesmo processo de levitação-e-laser pode transformar outros materiais em semicondutores. “Agora que sabemos as condições necessárias para criar elétrons presos em materiais, nós podemos desenvolver e testar outros materiais para descobrir se podemos fazê-los conduzir eletricidade desta forma”, diz Benmore.

Transformar cimento em metal pode soar como uma técnica de produção mais sustentável, mas como aponta Blaine Brownell da Architect Magazine, o processo utilizado para aquecer o composto de cimento consome bastante energia. Então, por enquanto, não está claro se esta descoberta poderá ser melhor para o meio ambiente. [Argonne National Laboratory]