Cocô de hipopótamos transforma rio africano em “meta-intestino”, diz estudo

A microbiota compartilhada entre animal e rio pode ser benéfica para a espécie, mas prejudicial a outros seres vivos. Entenda

Cocô de hipopótamos transforma rios em meta-intestino

Imagem: Christopher Dutton/Reprodução

Os hipopótamos podem ultrapassar facilmente os 1.500 quilos. Para manter a forma, esses gigantes comem cerca de 45 quilos de comida por dia. É compreensível que passem grande parte do dia fazendo cocô, o que torna os rios em que eles vivem verdadeiras privadas gigantes. Só que nessa história não tem como dar descarga… 

Em um novo estudo publicado na revista Scientific Reports, pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, procuraram entender quais eram os efeitos desse acúmulo de cocô no ambiente para os ecossistemas. Sabe-se que os animais possuem microbiotas únicas dentro de si, com microrganismos que ajudam nas funções do corpo, como a digestão.

Pesquisa na África

Mas como seria a situação se essa microbiota também estivesse fora? Para descobrir, os pesquisadores investigaram o Rio Mara, na África Ocidental, que é casa de mais de 40 mil hipopótamos. Então, os cientistas perceberam que o fundo de uma represa de hipopótamos se assemelha mais ao intestino do animal do que a um rio comum.

Pense em grupos enormes de animais fazendo cocô no mesmo local, compartilhando bactérias e micróbios uns com os outros. Têm-se então uma microbiota característica dentro dos animais e também fora deles, fazendo com que o rio se torne o que os pesquisadores chamaram de “meta intestino”.

Piscina probiótica

Aparentemente, o fenômeno é benéfico para os hipopótamos. De acordo com os cientistas, é como se os animais estivessem em uma grande piscina de bebidas probióticas, como o Yakult. Por outro lado, os efeitos na composição da água podem afetar outros seres vivos, como os peixes. Os pesquisadores pretendem continuar investigando as implicações do meta-intestino para a cadeia alimentar de outros animais que vivem no rio. 

Os cientistas também relataram uma concentração altíssima de gás metano nas regiões em que viviam os hipopótamos. Em comunicado, o líder do estudo Christopher Dutton chegou a dizer que “a quantidade de metano que sai da represa seria declarada um perigo explosivo nos Estados Unidos”.

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