por Thiago Simões

“O Acre não existe”. Você já deve ter ouvido essa frase pelo menos uma vez. Mas a verdade é que o Acre quase não existiu para os brasileiros devido a uma disputa de território, pro volta de 1900, que também envolveu bolivianos e peruanos. Se não fosse a vitória na Revolução Acreana, comandada por Plácido de Castro e a população, provavelmente, você não se interessaria pela região. Mas hoje nos lembramos do Acre quando vem à tona Chico Mendes, seringueiro e ativista político, morto em 1988. Porém, agora você terá mais um motivo para lembrar do Acre.

Há dois anos, o carioca Felipe Brandt, formado em sistemas da computação e apaixonado por jogos de tabuleiros desde a década de 1990, resolveu juntar seu conhecimento e experiência com jogos para criar algo novo. Felipe chamou Tatiana Eucário, estudante de biologia, Thiago Alves, recém-formado em jogos digitais, o webdesigner Johnny David e o eletricista da Petrobrás, Davidson Passo, para participar da criação do projeto. Foi então que surgiu o Acre Boardgame.

“Praticamente vivi no Acre. Realizamos diversas pesquisas históricas da região, seus personagens principais, monumentos e locais conhecidos. No estado, tem muito mais do que a gente pensa”, disse Felipe.

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A aventura e influências

No Acre Boardgame, sua missão será sobreviver e evoluir, para ganhar mais pontos que os outros competidores durante a partida. Você controlará um personagem, com habilidades que serão adquiridas ao longo da partida e que terão influência direta durante o jogo, fazendo escambo de produtos como látex, pedra, argila e madeira, entre outros. Cada recurso extrai um subproduto, que será responsável pela evolução de suas tarefas.

“Baseamo-nos muito em Stone Age, mas resolvemos tirar o fator da aleatoriedade presente nele. Desta forma, não existe a presença de dados e sim todo um planejamento para a aquisição e troca de produtos dentro da partida”, completa Felipe.

O jogo conta com um tabuleiro principal e um pessoal, onde ocorrerá o desenvolvimento das ações. Para Felipe, “a ideia era fazer algo encontrado em Tzolkin: The Mayan Calendar, com ilustrações e principalmente na interação dos itens com os jogadores. Por isso, não existem textos na aventura. Todo o decorrer da partida se passa por meio de ideogramas”.

Já o sistema de mercado é o praticado em Powergrid, no qual a escassez dos produtos os tornam mais caros. “Para balancear isso, foi criado um sistema de compra e venda, onde os recursos dos jogadores são mais baratos do que os adquiridos no mercado”, afirma Felipe.

O grupo se preocupou muito com a “rejogabilidade”. Cada vez mais presente nos boardgames, este é um fator importantíssimo para a vida útil da aventura. Pensando nisso, existirão três profissões a serem seguidas pelos participantes, um “embaralhamento” das construções sazonais e a mudança cronológica do início do jogo, podendo ser no inverno ou verão, o que interfere diretamente na coleta dos recursos.

Acre Boardgame já iniciou há algum tempo a fase de testes, com adultos e crianças, e não houve grande dificuldade de entendimento. A curva de aprendizado é pequena, fazendo com que mesmo os menos familiarizados com a mecânica tenham possam se divertir com o jogo.

“Nas primeiras 8 rodadas, você já aprende tudo o que pode ser feito durante as ações de jogo. A complexidade fica apenas para você decorar os símbolos, o que leva um pouco mais de tempo e também a utilização do mercado”, complementa Felipe.

O jogo já tem previsão para entrar em financiamento coletivo. Será no mês de novembro, mas precisamente no dia 17, na plataforma Kickante. A data foi escolhida em homenagem ao Tratado de Petrópolis, que incorporou o Acre ao Brasil.

Entre as conquistas para serem desbloqueadas, a atualização de heróis acreanos, que poderão ser utilizados na aventura, como Chico Mendes, Plácido de Castro, Euclides Távora, Rodriguez Alves, João Cunha Correia, Gregório Taumaturgo de Azevedo e José Augusto de Araújo. O valor ainda não foi divulgado, mas deve ficar muito próximo do encontrado em boardgames como Caverna e Agrícola.

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