por Thiago Simões

O antigo chefão da divisão Xbox, Robbie Bach, disse recentemente que acredita muito em uma próxima geração de consoles provavelmente sem mídia física. Isso nos deixa com a hipótese de que, em alguns anos, os consoles tenham apenas relação com as mídias digitais. Se os atos não nos deixam mentir, lembrem-se que no fim do ano teremos a chegada das Steam Machines, o que deve impulsionar ainda mais essa ideologia mercadológica. Caso realmente aconteça, isso será bom ou ruim?

Coleção e livre escolha

Quem gosta de colecionar jogos não aprovará a opção de apenas termos jogos digitais. O materialismo anda lado a lado com o colecionismo e, com certeza, os gamers que gostam de estampar suas prateleiras com suas aquisições sentirão muito a falta das mídias físicas.

Outra característica que podemos colocar aqui é a da livre escolha. Temos pessoas que gostam de adquirir a mídia física, independentemente de fazer uma coleção. E elas, como ficam?

Custos

Será que os custos serão mais em conta se tivermos apenas jogos digitais? Basta analisarmos o preço dos jogos nesse formato nos consoles, o que nos mostra que os títulos não ficaram mais baratos.

Geralmente, fazemos uma comparação com os jogos de PC, mas não podemos esquecer que os games de computador entram na categoria de software, ou seja, recebem menos mordidas do leão. Mas, aí você me responde que os jogos no PC estão com os preços bem parecidos com os do console. Pois bem, culpe a desvalorização da nossa moeda frente ao dólar.

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Foto via Patrick T. Fallon/Bloomberg

Fim da espera

Pré-venda no Brasil não funciona. Nem para jogos, nem para nada. O consumidor sempre foi tratado como um qualquer, e ter a possibilidade de jogar aquele jogo esperado no dia do seu lançamento não tem preço. Sem contar que você pode baixá-lo antes e só esperar ele destravar lá pela meia noite, uma da manhã.

Troca e venda de jogos

Esqueça, você não conseguirá mais vender aquele jogo pelo preço que você pagou. Trocar? Talvez, dependendo do título. A troca de games dificilmente daria certo, mas quem sabe as empresas desenvolvam uma forma disso tudo ocorrer no futuro. Basta ver como o mercado norte-americano sobreviveu nos últimos anos do escambo de títulos, principalmente em lojas como a GameStop.

Hora de reinventar a mídia?

Ao longo das décadas, as mídias foram modernizadas. Disquetes não existem mais. O que dizer então dos cartuchos de videogame, fitas VHS e cassete? Qual seria o próximo passo na modernização das mídias? Seriam as mídias digitais mesmo?

A questão dos jogos digitais na próxima geração vai gerar muitos debates, até pelo fato de estarmos no início de uma geração. Eu acredito que, dificilmente, o mercado excluiria as mídias físicas, mas creio que elas entrarão em extinção. E você?

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Thiago Simões é comentarista de futebol e hóquei no gelo na ESPN, e toda semana ele falará de games em sua coluna para o Gizmodo Brasil. Siga o Thiago no Twitter.