Você já sabe que os tablets finalmente vão receber incentivo fiscal no Brasil: o PIS/Cofins já caiu de 9,25% para zero e, nos próximos dias, o IPI e o ICMS sobre os tablets devem ser reduzidos também, assim como o imposto de importação. Mas o que impede que o Brasil seja apenas “montadora” de tablets, só importando peças da China?

Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, explica que para conseguir estes benefícios, as fabricantes precisam utilizar pelo menos 20% de componentes fabricados no Brasil. Inicialmente, elas ainda vão poder importar a maioria das partes, mas o ministro diz que quer aumentar essa porcentagem para 80% nos próximos três anos.

E tem fabricante estrangeira interessada nessas condições? Segundo Mercadante, tem várias: doze empresas já se inscreveram para produzir tablets no Brasil. Dentre elas, temos velhas conhecidas – Motorola, Samsung, LG – além das brasileiras Positivo, Itautec, Semp Toshiba (com preços melhores desta vez?) e MXT (que criou primeiro tablet brasileiro com Android) e outras marcas menos conhecidas. Ah, claro, a Foxconn também.

Por que não exigir desde já que todos os tablets sejam de fato nacionais, com a maior parte dos componentes fabricadas aqui? Mercadante espera que, da mesma forma que aconteceu no setor automobilístico, as próprias fabricantes tragam as fábricas de componentes para o Brasil. O exemplo mais claro é o da Foxconn: segundo o ministro, a produção de tablets no Brasil deve começar em julho, e uma fábrica de semicondutores deve iniciar suas operações já em outubro.

Esperamos que seja cobrada uma das contrapartidas às possíveis exigências da Foxconn: deixar a multinacional investir no país, mas em troca de conhecimento e know-how vindos de fora. Segundo a Folha, a Foxconn deve criar no Brasil um Centro de Produção e Desenvolvimento, e parte dos funcionários será treinada na China. Dessa forma, o Brasil consegue não só virar fabricante de tablets – ao invés de reles montadora – como retém a tecnologia para tanto no país. [Estadão]

Foto por carnero/Flickr