Em uma nova pesquisa, pesquisadores da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, avaliaram algumas comidas de fast food e encontraram a presença de ftalatos — tipo de microplástico. As descobertas foram publicadas na revista científica Journal of Exposure Science and Environmental Epidemiology.

Essas substâncias são um tipo de plastificante amplamente utilizado para dar flexibilidade ao plástico e a outras substâncias. Eles também são um desregulador endócrino (EDC), que interfere nos hormônios que o corpo humano produz naturalmente, como a testosterona e o estrogênio. 

Estudos com animais e humanos indicaram que a maior exposição a EDCs, incluindo ftalatos, pode causar um efeito negativo no desenvolvimento de crianças e aumentar o risco de problemas de saúde como asma, obesidade e problemas posteriores de fertilidade

Os autores do estudo encontraram vários ftalatos diferentes — bem como outros produtos químicos destinados a substituir essas substâncias — em uma variedade de itens para viagem de fast food — incluindo batatas fritas, burritos e cheeseburgers. Embora o impacto desses produtos químicos na saúde ainda esteja sendo estudado, os pesquisadores argumentam que temos que mantê-los fora de nossa alimentação.

Os plásticos são onipresentes em nossas vidas, assim como os produtos químicos usados ​​neles. Mas, os cientistas descobriram nos últimos anos que itens de fast foods podem ser uma fonte particularmente intensa de exposição. Um estudo de 2018 analisou as amostras de urina de americanos e descobriu que aqueles que relataram comer em restaurantes de fast food recentemente eram mais propensos a ter níveis mais elevados de ftalato do que aqueles que comiam em casa com mais frequência.

Esta nova pesquisa, liderada por alguns dos mesmos autores do estudo de 2018, examinou os próprios fast foods. Eles coletaram 64 amostras de alimentos de seis restaurantes diferentes na área de San Antonio, Texas, abrangendo lanchonetes, uma pizzaria e um restaurante Tex-Mex; eles também coletaram pares de luvas de manipulação de alimentos em três desses restaurantes. Os cientistas testaram todos para ftalatos comumente relatados, bem como outros plastificantes que começaram a ser usados ​​como alternativas supostamente mais seguras às substâncias.

Ao todo, 81% dos itens alimentares continham ftalato di-n-butil ftalato (DnBP), enquanto 70% também continham di (2-etilhexil) ftalato (DEHP), que foram ambos apontados como possíveis causadores de problemas de fertilidade. Cerca de 89% dos alimentos continham algum di (2-etilhexil) tereftalato (DEHT), um plastificante não-ftalato. Algumas pesquisas sugeriram que o DEHT pode ser um produto químico mais seguro do que outros ftalatos, mas ele não foi estudado a fundo ainda. Então, qualquer conclusão sobre sua segurança para humanos ainda é especular demais, argumentam os autores. Itens feitos de carne, incluindo cheeseburgers e burritos de frango, geralmente tinham os níveis mais altos de qualquer um desses produtos químicos.

“Descobrimos que os ftalatos e outros plastificantes são comuns em alimentos preparados disponíveis nas cadeias de fast food dos EUA, uma descoberta que significa que muitos consumidores estão recebendo um lado de produtos químicos potencialmente prejudiciais à saúde junto com suas refeições”, disse o autor principal Lariah Edwards, pesquisador da Universidade George Washington, em comunicado ao Gizmodo US. “Regras mais estritas são necessárias para ajudar a manter esses produtos químicos prejudiciais fora da cadeia de fornecimento de alimentos.”

É provável que a embalagem plástica usada para armazenar esses alimentos seja uma via de contaminação. Contudo, as luvas usadas para preparar a comida para os clientes podem ser outra. Outros testes da equipe encontraram níveis de plastificantes de reposição especificamente nas luvas.

Embora os riscos exatos representados pelos ftalatos de fast food não sejam facilmente mensuráveis ​​agora, os pesquisadores suspeitam que certos grupos são mais vulneráveis ​​a eles. Bairros mais pobres tendem a ter mais restaurantes de fast food, embora tenham menos acesso a alimentos frescos. E esses locais não são apenas divididos por classe, mas frequentemente também por raça e etnia. Portanto, embora esses alimentos não sejam saudáveis ​​para começar, os ftalatos e outras toxinas ambientais podem apenas exacerbar ainda mais as disparidades de problemas de saúde observadas entre ricos e os pobres.

“Pesquisas adicionais precisam ser feitas para descobrir se as pessoas que vivem nessas regiões correm maior risco de exposição aos produtos químicos prejudiciais”, disse o autor do estudo Ami Zota, professor de saúde ambiental e ocupacional na Universidade George Washington.

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Cientistas e defensores da segurança começaram a especular e discutir mais sobre os riscos para à saúde e ao meio ambiente (incluindo contribuições para as mudanças climáticas) representados pelos plásticos — embora as campanhas lideradas pela indústria tenham diminuído isso. Serão necessários esforços sistêmicos para realmente reduzir a presença desses produtos químicos em nosso mundo. Mas, enquanto isso, os autores dizem que essas e outras descobertas fornecem outro argumento para defender a ideia de que cozinhar em casa é a escolha mais saudável.