As vacinas contra COVID-19 são o grande assunto dos últimos meses. Disputas políticas e o movimento antivacina podem gerar ainda mais confusão entre as pessoas que buscam entender o que esperar do imunizante. Muito se fala em “corrida das vacinas”, o que também gera preocupação sobre a possibilidade de as pesquisas terem sido aceleradas, ignorando alguns procedimentos de segurança.

Pensando nisso, o Lifehacker reuniu uma série de motivos para você acreditar que as atuais candidatas à vacina seguiram todos os protocolos necessários. O site focou nas vacinas que utilizam RNA mensageiro, como a da Pfizer/BioNTech e da Moderna. A primeira já recebeu autorização de uso emergencial da Food and Drug Administration (FDA), órgão de vigilância dos EUA equivalente à Anvisa, enquanto a outra deve receber em breve.

Mais de uma década de pesquisas

Para começar, o causador da doença COVID-19 é chamado de “novo coronavírus” por um motivo. Antes de ele surgir, a China já havia enfrentado o surto da doença respiratória SARS em 2002, causada por um vírus da mesma família. A semelhança entre eles, inclusive, fez com que o vírus mais recente fosse batizado de SARS-CoV-2 — o vírus da SARS é o SARS-CoV. Já em 2012, a doença MERS surgiu no Oriente Médio, também causada por um coronavírus.

Portanto, apesar de a COVID-19 ser uma doença nova, as pesquisas sobre esse tipo de agente infeccioso já vêm sendo feitas há, pelo menos, 18 anos. Esse histórico de surtos passados também ajudou na evolução de pesquisas sobre biologia molecular. Os estudos avançaram tanto a ponto de o sequenciamento do RNA viral do SARS-CoV-2 ter sido publicado menos de um mês após ele ter sido descoberto.

Vacinas anteriores

Caso a vacina da Pfizer/BioNTech seja amplamente aprovada, ela será a primeira que utiliza RNA mensageiro a ser aplicada em humanos. Isso não significa, no entanto, que essa tecnologia seja inteiramente nova.

Conforme apontado pelo Lifehacker, essa ideia de utilizar o material genético do vírus existe desde o início dos anos 90 — ou seja, são mais de 30 anos de pesquisa. Este tipo de vacina já mostrou causar resposta imune a doenças como influenza, Zika e raiva.

Existe uma série de pesquisas focadas nessa tecnologia, e o fato de vacinas desse tipo já existirem acaba acelerando o processo de desenvolvimento de um imunizante contra COVID-19. É o que ocorre com a vacina da gripe, por exemplo. As doses de cada ano diferem do ano anterior, mas elas não são criadas do zero. Os laboratórios já estão preparados para produzi-las — basta utilizarem uma variedade específica do vírus que é o alvo da vez.

Questões burocráticas

Normalmente, novas vacinas demoram a sair devido a questões envolvendo financiamento, assinatura de documentos e reuniões de conselhos para revisar as pesquisas e discutir os próximos passos. No caso da pandemia de COVID-19, esperar o tempo médio de cada um desses processos estava fora de questão.

Quando uma empresa ou instituto decide buscar autorização para uma nova vacina, o FDA costuma processar a solicitação dentro de 10 meses. Nesse caso, a agência optou por convocar uma reunião de emergência e estava pronta para aprovar os imunizantes em três semanas.

Cronograma de testes

Outro fator que ajudou no desenvolvimento de vacinas contra COVID-19 foi o aumento rápido e exponencial no número de infectados. Os testes de vacinas costumam durar até que uma certa quantidade de casos positivos sejam registrados. Assim, quando as taxas de contaminação dispararam durante a fase 3 dos testes, as farmacêuticas conseguiram coletar em um curto intervalo de tempo os dados necessários para encerrar os estudos e analisar os resultados antes que o esperado.

Preparação antecipada

Por fim, para não perder tempo esperando a finalização de cada etapa do processo de desenvolvimento e aprovação da vacina, muitas empresas e órgãos anteciparam quais seriam os próximos passos e já se preparam. As farmacêuticas começaram a produzir grandes quantidades de doses antes de receberem as aprovações. Já as agências governamentais começaram a discutir os potenciais riscos dos imunizantes e planos de vacinação com antecedência também.

O Comitê Consultivo em Práticas de Imunização dos EUA, por exemplo, costuma organizar uma reunião, sem prazo determinado, após a FDA aprovar um imunizante. No caso das vacinas contra COVID-19, o comitê convocou uma reunião de emergência e estabeleceu as recomendações em menos de 24 horas após a agência anunciar a autorização de uso emergencial.

Portanto, uma série de fatores contribuiu para termos uma vacina contra COVID-19 em menos de um ano desde que a pandemia atingiu diversos países de forma agressiva. Desde esforços em conjunto de farmacêuticas e governos ao histórico de pesquisas e vacinas passadas, tudo isso ajudou a estarmos mais perto de uma imunização eficaz e segura. O fato de isso ocorrer em um tempo recorde não significa que houve imprudência.

[Lifehacker]