Há algum tempo se discute a falta de privacidade e segurança à medida que as pessoas vão ficando mais conectadas e expondo cada vez mais suas vidas e informações pessoais na internet.

Algumas empresas também exploram vulnerabilidades na web para comercializar softwares espiões, como o NSO Group, empresa israelense criadora do Pegasus, spyware capaz de hackear e ter acesso a todas as informações de dispositivos eletrônicos, além de câmera e microfone.

No início de 2021, o portal UOL revelou que houve negociações entre membros do gabinete de segurança institucional (GSI) e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) para a aquisição do software espião da NSO Group. No entanto, na ocasião, a presença do vereador pelo Rio de Janeiro e filho do presidente, Carlos Bolsonaro, desagradou alguns membros do GSI, o que fez com que as negociações acabassem esfriando.

DarkMatter

Agora, uma nova matéria do UOL, mostra que o governo brasileiro, através de integrantes do chamado “gabinete do ódio”, estão interessados em outro spyware da empresa DarkMatter, criada em 2014 com sede em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos..

A DarkMatter desenvolveu um software espião capaz de infectar quaisquer dispositivos que estejam conectados a uma rede.

Após a infecção, funciona de forma semelhante ao Pegasus da NSO, tendo acesso a todas as informações do aparelho, microfone e câmeras, tudo isso sem o usuário saber que está sendo hackeado.

Além disso, o programa pode extrair dados até mesmo de dispositivos desligados. O programa da DarkMatter é uma ferramenta poderosíssima e que gera preocupação de ativistas e entidades que lutam pela democracia.

Ainda segundo a reportagem de Jamil Chade e Lucas Valença, um integrante do gabinete do ódio, ligado ao vereador Carlos Bolsonaro, se encontrou com representantes da DarkMatter em um evento que ocorreu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a fim de negociar o software espião.

Além disso, integrantes do gabinete do ódio também mantiveram conversas com outra empresa desenvolvedora de softwares espiões, Polus Tech, chefiada pelo desenvolvedor israelense Niv Karmi, co-fundador do NSO Group. Os encontros escancaram o interesse do governo na aquisição destes programas, mas as negociações ainda não foram finalizadas.

Lista de restrição comercial

O NSO Group está no centro de algumas polêmicas e é acusado de comercializar o Pegasus com governos antidemocráticos que utilizaram o spyware para espionar adversários políticos, ativistas e jornalistas. A prática da empresa israelense motivou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a colocá-la em uma lista de proibição de comércio do país. Com a medida, nenhuma empresa americana pode estabelecer relações de negócios com a companhia israelense.