De camelô a dono da música mais ouvida do Brasil, “Malvadão 3”. Essa é a trajetória de Jason Carlos da Cruz Fernandes, mais conhecido pelo nome artístico Xamã. O rapper carioca, de 32 anos, é natural de Sepetiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

Antes de se tornar cantor conhecido internacionalmente, ele tinha como meta ser advogado e cursou a faculdade de direito, trabalhou em lojas e teve expediente até como ambulante. Xamã já vendeu amendoim no trem, profissão inspirou os versos da música “Flow de vendedor de amendoim”.

No fim de 2021 e começo de 2022, com a carreira solo já consolidada, Xamã chegou ao topo das paradas com “Malvadão 3”. O cantor, que já participou de coletivos de rap como 1kilo e Cartel MCs, ocupa atualmente o 1º lugar no Spotify brasileiro e português, e 38º no mundial; é número 1 no YouTube de Portugal e 4 no Brasil; está na primeira posição no Brasil no iTunes, Shazam e Deezer. 

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Além disso, “Malvadão 3” foi um dos hits da virada de ano, levando o rap a uma lista dominada por piseiros (ritmo musical do nordeste) de artistas como Marcinho Sensação e MC Danny.

A letra da canção é sobre um tema comum do cancioneiro popular brasileiro: a bunda. Ela seria uma cura para quase todos os problemas dele, menos o preço do transporte público no Rio: “Oh, governador, baixa a passagem, que meu bolso não aguenta”.

Das poesias, aos feats de respeito! 

Ao contrário de muitos, Xamã começou sua carreira como rapper tarde, aos 27 anos, nas batalhas de rimas, onde se destacou e ganhou notoriedade. Por não ter dinheiro para comprar os beats, o cantor dedicou-se à poesia, chegando a ser um dos primeiros colocados em grandes concursos de literatura.

Ele, que começou escrevendo poesias e se destacando em concursos literários, migrou para as batalhas de rap. Em paralelo, conciliava a arte com o emprego em uma loja de discos e foi até camelô. Com a renda, pagava a faculdade de direito. Xamã é pai da pequena Akasha. 

Na carreira solo, Xamã já lançou três álbuns e o mais recente é “Zodíaco”, de dezembro de 2020. As músicas fazem menção aos signos e é um trabalho cheio de parcerias.

Em “Escorpião”, canta com Agnes Nunes, uma cantora do mesmo escritório e parceira de outros momentos da carreira também. O cantor também lançou o clipe de “Áries” em que homenageia Anitta. 

Luísa Sonza (“Câncer”), Gloria Groove (“Capricórnio”) e Marília Mendonça (“Leão”) também estão no disco que é de rap, mas tenta essa aproximação com artistas muito populares no Brasil.

Em “Leão”, música composta por Xamã, mostrou a versatilidade de Marília. Além de mostrar sua conhecida potência vocal, a falecida cantora se arrisca na poesia falada do rap. “Foi uma das maiores parcerias que fiz na vida”, disse Xamã em entrevista ao G1.

Ele também canta com Ludmilla da música “Deixa de Onda (P*rra Nenhuma)”, do Dennis DJ. Xamã é dono de hits como “Luxúria” e “A Bela e a Fera”, de versos populares em legendas do Instagram como “eu vim de foguete, tô só passeando” e “eles não entendem nossa solidão, somos de carne e aço”.

O segundo álbum, “Iluminado”, tinha mais feats do hip hop, com parceiros como Orochi, Filipe Ret e Major RD. Na capa e em imagens do disco, Xamã fez uma homenagem ao filme estrelado por Jack Nicholson.

Em 2019, o cantor chamou atenção ao ser escalado para o Espaço Favela, do Rock in Rio, onde soltou suas rimas. Antes do festival, resumiu o som que ele faz: “Toco na boate mais playboy da cidade, toco na favela, a senhora que está arrumando a casa me escuta”. Além disso, fez turnê nos Estados Unidos, Europa e Austrália. 

Hoje, Xamã acumula mais de 6,8 milhões de ouvintes mensais no Spotify. No Instagram, é seguido por 5,9 milhões de pessoas – na conta, ele posta desde fotos do seu dia a dia a bastidores de gravações.