Cuba vem passando por mudanças nos últimos tempos, restaurando relações diplomáticas com os EUA após meio século de afastamento, e abrindo o primeiro hotspot Wi-Fi gratuito no ano passado. Alguns hábitos antigos, no entanto, não mudam.

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O governo cubano é acusado por dissidentes de censurar mensagens de texto com os termos “democracia”, “direitos humanos”, “greve de fome”, o nome do dissidente José Daniel Ferrer García e do grupo de jovens da oposição Somos Más.

A Reuters tentou, sem sucesso, enviar SMS em Cuba contendo essas palavras. Elas apareciam como “enviado” no celular do remetente e eram cobradas do usuário, mas não chegavam ao destino. Mensagens com a palavra em espanhol para “protesto”, no entanto, foram transmitidas com sucesso.

“Nós sempre achávamos que as mensagens desapareciam porque a operadora era incompetente, então decidimos verificar isso usando palavras que incomodariam o governo”, diz Eliecer Ávila, líder do Somos Más, à Reuters. “Nós descobrimos que não apenas nós, como o país inteiro está sendo censurado.”

Cuba só passou a autorizar celulares em 2008. Atualmente, existem 3 milhões de linhas móveis na única operadora local, a CubaCel, parte da estatal ETECSA.

O governo cubano também bloqueia sites dissidentes que eles acreditam ser financiados pelos EUA, mas permite sites de jornais críticos como El Nuevo Herald e El País.

A denúncia de censura no SMS vem de uma investigação realizada pelo jornalista Reinaldo Escobar e pela dissidente Yoani Sánchez, do blog Generación Y, conhecido por suas críticas a Fidel e Raúl Castro. Sánchez veio ao Brasil em 2013, quando foi hostilizada por defensores do governo cubano, e acusada de ser uma agente disfarçada da CIA.

[Reuters via Engadget]

Foto por Andrew Wragg/Flickr