Eu tenho mais ou menos três expressões faciais: olhar pro computador (olhos vidrados), olhar pra TV (olhos mais vidrados) e olhar pro celular (olhos concentrados, sobrancelhas tensas). Mas vendo este robô expressivo terrivelmente medonho, eu… franzi as sobrancelhas um pouco.

Recentemente, criaram um robô que canta e dança melhor do que eu, e outro que joga boliche melhor que eu. Eu espero que os robôs sejam melhores do que eu nesse tipo de coisa, então não fiquei muito chocado. Este aqui, no entanto, me perturba.

O Actroid-F, a versão mais recente do robô Geminoid, criado pelo roboticista japonês Hiroshi Ishiguro, observa humanos e então imita suas expressões faciais. Como você pode ver no vídeo, ele faz isso com bastante precisão. Ver esse robô fazer beicinho e erguer as sobranchelhas, memórias de conversas reais e humanas voltaram à minha mente. Paqueras, frustrações, equívocos – todas as coisas não ditas que podiam ser lidas com a mais leve movimentação dos músculos do rosto – todas elas, agora parte do domínio dos robôs.

E assim vai. Logo, sem dúvida, os robôs sentirão alegria com ainda mais intensidade que os humanos, e vão amar mais apaixonadamente que nós, enquanto nos contentamos em parar vidrados frente a nossos computadores e TVs e celulares.

O Actroid-F vai começar a ser usado em hospitais japoneses, onde ela vai observar pacientes e monitorar suas reações. Um dia, quem sabe, ela ensine aos pacientes a sorrir novamente. [PopSci]