Empresas de economia compartilhada, como Uber e Airbnb, buscam mediar ativos que as pessoas já têm para fazê-las ganhar algo em troca. Porém, há um grande problema inicial nessas startups: como convencer usuários a ceder algo próprio para outras pessoas (um quarto, no caso do Airbnb), ou convencer pessoas a usarem serviços feitos diretamente por usuários (uma corrida, no caso do Uber)?

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Estes foram alguns dos desafios discutidos na palestra “Compartilhar vai decolar?”, durante o Festival Path, neste domingo (15). Participaram da conversa representantes de duas startups: a Pegcar (que conecta quem precisa alugar um carro com quem tem um veículo disponível) e a Worldpackers (startup que permite a viajantes se hospedarem em determinados locais em troca de alguma habilidade, como cozinhar).

Neste processo para trazer pessoas para esse tipo de atividade, os palestrantes disseram que há dois grandes pilares que sustentam o negócio: confiança e reputação. Os dois itens são construídos aos poucos, porém são complementares. O primeiro se trata das primeiras experiências, enquanto o segundo tem relação com mecanismos de avaliação — que tanto Pegcar como Worldpackers possuem.

Bruno Hacad, cofundador da Pegcar, falou um pouco sobre o primeiro negócio da empresa. “Para ver como ia ser, eu e meu sócio seguimos os dois clientes e ficamos escondidos em um carro, vendo como seria a interação entre o proprietário do carro e do cara que ia alugá-lo”, disse.

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Da esquerda para a direita: Bruno Hacad (Pegcar), Ana Karolina de Andrade e Riq Lima (ambos da Worldpackers) e a mediadora Ana Paula Gaspar.

No caso da Worldpackers, as primeiras experiências eram de amigos dos primeiros funcionários da empresa, como contou o cofundador Riq Lima. “Tudo sempre começa com amigos loucos que abraçam a ideia. Lembro que, nas primeiras dez viagens, nós sabíamos exatamente onde e com quem estavam os primeiros usuários”, afirmou.

É uma barreira, pois a desconfiança de quem não conhece a iniciativa sempre é grande. “Costumo dizer que é como um band-aid. Depois que é vencida a primeira barreira e a experiência é boa, as pessoas começam a gostar e se engajar”, comentou Hacad.

Nas duas empresas, houve uma escolha de um público early adopter que, após ver que a experiência era positiva, passou a recomendar para as outras pessoas. E assim foi surgindo uma corrente de divulgação boca a boca. Este é o melhor tipo de usuário, por formar os grandes divulgadores de forma direta ou indireta.

“É mais importante ter cem pessoas que te amam, do que ter um monte de usuários no serviço que não veem tanto valor. Pessoas que chegam até nós por indicação são muito mais engajadas que, por exemplo, as impactadas por uma propaganda do Facebook”, explicou o cofundador da Pegcar.