Há algumas semanas, veio à tona o fato de que o Google continuava rastreando sua localização mesmo se a opção fosse desativada. Isso mostra como pode ser difícil entender quando aplicativos, empresas e dispositivos estão olhando onde você está. Neste texto, trouxemos o que você precisa saber sobre o rastreamento de localização e como ele funciona no seu smartphone — e como desativá-lo.

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Informações locais são alguns dos dados mais valiosos que qualquer empresa pode conseguir, seja para dar uma previsão do tempo mais detalhada, seja para mostrar uma propaganda de padaria no bairro. Por isso, aplicativos e sistemas operacionais móveis têm tanto interesse nelas.

No entanto, isso é um acordo — se você não quiser entregar essas informações, pode revogá-lo. Por outro lado, vai ter que ficar sem alguns serviços que usam sua localização, como qual o melhor caminho para chegar até o parque.

O que você prefere? Conveniência ou privacidade? Não dá para ter os dois, mas, sabendo como isso funciona, você pode decidir melhor se quer ativar ou desativar estes recursos.

Seu smartphone rastreia sua localização

Se você não quer que seu smartphone entregue sua posição para nenhum app ou nenhuma empresa de tecnologia, você precisa desativar a configuração mestre de localização. Fazendo isso, você basicamente impede que seu celular saiba onde você está (o que ele normalmente faz usando informações recebidas de satélites de GPS, torres de celular e mesmo redes públicas de Wi-Fi próximas).

No Android, vá até as Configurações, então entre em Segurança e localização, depois em Localização e desative o botão em forma de interruptor ao lado de Usar localização.

Se você está usando um iPhone, abra os Ajustes, entre em Privacidade e Serviços de localização e desligue Serviços de Localização. Os recursos de seu aparelho que dependem de localização param de funcionar.

Isso significa que você não poderá ver sua localização em um mapa, procurar um café no bairro onde você está ou encontrar seu celular em caso de perda ou roubo. Isso também impede que o Google para de reunir dados anônimos para dizer aos usuários do Google Maps se uma via está muito congestionada ou se um restaurante está muito cheio, por exemplo. Tanto o Android quanto o iOS incluem mais informações nos menus para que você saiba exatamente o que está fazendo.

Mesmo assim, há uma situação em que sua localização ainda é compartilhada por qualquer um desses dois sistemas operacionais, mesmo que tenha desligado a opção de rastreamento: quando você usa serviços de emergência. Se você está em um país (como os EUA) e em uma rede com compartilhamento de localização de emergência, seu aparelho vai mandar sua posição aos atendentes, não importa o que você tenha decidido.

Os aplicativos rastreiam sua localização

Se você ativa o rastreamento de localização em seu dispositivo, você passa a dar ao Google ou à Apple acesso àquela informação. É parte do acordo de usar os sistemas móveis deles. Mas, mesmo com essa opção ligada, dá para bloquear apps individualmente e, assim, impedi-los de acessar a posição do seu dispositivo.

Nas Configurações do Android, vá até Segurança e localização, então entre em Localização e em Permissões no nível de aplicativos para ver todos os apps que estão instalados no seu aparelho. Desligue os interruptores dos apps que você não quer que saibam onde você está. Por exemplo, você pode escolher deixar o Airbnb saber onde você está, mas o Facebook, não. Novamente, devemos avisar que isso faz com que algumas funções dos apps parem de funcionar.

Nos Ajustes do iOS, entre em Privacidade, então Serviços de Localização para ver uma lista completa de apps. O sistema móvel da Apple oferece controles mais refinados: os apps podem receber permissão para acessar dados de localização Sempre, Enquanto o aplicativo está em uso ou Nunca. Use a opção Nunca para bloquear o compartilhamento completamente, ou Enquanto o app está em uso para bloquear o rastreamento em segundo plano (assim, as informações só são registradas quando o app está realmente sendo usado).

Este é um jeito de fazer os aplicativos pararem de registrar sua localização de um jeito que foi destacado na recente matéria da Associated Press. Esses pontinhos no mapa da reportagem são onde os aplicativos foram disparados e, então, pegaram dados da posição do aparelho. Claro, cada app funciona de uma maneira diferente, além de ter sua própria política de privacidade e de usar seus dados de localização para um fim específico.

Vale lembrar, entretanto, que alguns deles vão longe para saber onde você está. Mesmo que você impeça o app do Facebook de acessar sua localização, a rede social enquanto plataforma saberá onde você está quando você fizer login usando um navegador (por causa do endereço IP da sua conexão com a internet), ou quando algum amigo seu marcar uma foto com você em algum lugar específico, ou quando você marcar um lugar em uma foto do Instagram.

O Google (ou a Apple) rastreia sua localização

Mesmo que você desligue o acesso à localização por todos os seus apps, se ele continuar ativado em seu dispositivo, a Apple (no iOS) e o Google (no Android) ainda podem coletar dados de posição sobre você, pois eles são os proprietários dos respectivos sistemas operacionais. O Google, entretanto, parece muito mais agressivo nessa questão, e muito mais interessado em compartilhar seus dados de localização por todos os seus produtos.

Esse é o tipo de monitoramento destacado pelo post de K. Shankari em seu blog, que chamou a atenção da AP e a levou a fazer a reportagem. O texto levanta questões que são notadas por usuários do Android há anos: o Google Play Services ainda vai reunir alguns dados de localização para o Google e para os serviços a ele ligados (como o Maps e o Google Assistente) se o acesso à localização estiver ligado no nível do aparelho.

O Google consegue fazer isso mesmo no iOS, com ajuda do app Google, aquele em que você faz pesquisas. Você notará que ele requisita registros de posição praticamente todo o tempo, mesmo em segundo plano. No sistema da Apple, pelo menos, você consegue bloquear o app do Google sem ter que desativar completamente os serviços de localização. Já no Android, é uma questão de tudo ou nada.

Isso tudo está explicado na Política de Privacidade do Google, que cobre todos os produtos e serviços, incluindo o Google Maps e o Android. “Os tipos de dados de localização que coletamos dependem, em parte, do dispositivo e das configurações da conta”, diz a empresa — são muitas configurações, e mesmo assim você só controla o monitoramento “em parte”.

Você também pode ler a Política de Privacidade da Apple, que esclarece que os dados dos Serviços de Localização no iOS podem ser usados para saber mais sobre lugares que você visita com frequência, mostrar propagandas baseadas em sua posição no Apple News e na App Store e fazer sugestões locais (como a Siri perguntando se você quer visitar uma cafeteria local no iOS 12).

Esta informação é compartilhada entre dispositivos conectados à mesma conta do iCloud, da mesma maneira que o Google compartilha informações entre vários aparelhos. Entretanto, a Apple deixa claro que não tem interesse em armazenar os dados para ela mesma — eles ficam presos no seu dispositivos e não em servidores da empresa. Qualquer dado que a Apple vê passa por um processo para torná-lo anônimo, além de ser agrupado com informações de outros usuários.

Da mesma maneira que usar o Facebook ou se conectar a uma rede Wi-Fi pública, é uma questão de o quanto você confia nas empresas que fornecem esses serviços. Você está contente com o Google ou com seu iPhone sabendo onde você está e, em troca, dando caminhos para voltar para casa, ou previsões do tempo locais, ou recomendações de novos restaurantes?

Então, se você quer impedir que um app específico saiba onde seu celular está, pode mudar as permissões no nível de aplicativos. Se você quer que o Google ou a Apple parem de coletar informações de onde você esteve, precisará desativar a função de localização do seu celular por completo. Ou, talvez, passar a usar um dumbphone.

Imagem do topo: Kelsey Knight (Unsplash)

Demais imagens: Gizmodo