Hoje, o que define uma plataforma de smartphone é o número e qualidade de apps disponíveis para ela. Mas esta obsessão por apps pode estar ultrapassada. É o que diz o presidente da Nokia para a América do Norte, Chris Weber, em entrevista ao VentureBeat. E ele pode estar certo.

Para Weber, da Nokia, a obsessão atual por mais apps no smartphone é ultrapassada:

Eu acredito que esses modelos [do iOS e do Android] são ultrapassados, no entanto, porque você precisa de um app para tudo. E, de novo, eu acredito que os consumidores querem uma experiência integrada, completa e sem esforço e é isso que o software do Windows Phone faz…

Deixe-me dar um exemplo. Nós estávamos conversando com uma das nossas operadoras e nós fomos e mostramos a eles o portfólio de dispositivos que estamos fazendo, e nós demos a eles uma demonstração do software Mango da Microsoft. E o que dissemos para eles era que essa experiência que nós mostramos a eles na demonstração, para obtê-la no Android e iPhone, você teria que baixar e comprar (dependendo se for gratuito ou pago) e configurar sete aplicativos da loja de apps, para Android ou iPhone. E isto está integrado no Windows Phone Mango. Nós acreditamos que isto cria uma experiência melhor e mais prazerosa para consumidores.

Se eu puder evitar baixar sete apps para começar minha experiência com o smartphone, tanto melhor. Claro, o sistema precisa fazer a tarefa pelo menos tão bem quanto um app.

É fácil desmerecer a crítica dizendo que o Windows Phone, plataforma que a Nokia adotou para smartphones, tem menos apps que o Android e o iPhone. Sim, o iPhone tem mais de 500.000 apps na App Store; e o Android conta com no mínimo metade disso no Market. Mas o Windows Phone já passou dos 25.000 apps, e os principais estão lá faz tempo, e muitas vezes em versões mais elegantes que em outros sistemas.

E pense nisso: no seu smartphone, quantos apps você tem? Quantos deles você usa sempre? E quais deles poderiam estar integrados direto no sistema? David Heinemeier, do 37signals, diz que só precisa de dez apps no smartphone – são os que ele mais usa. Se o celular acerta na experiência básica, ele pode fazer sucesso para a maior parte do público, principalmente os não-geeks.

Claro, Weber não desmerece a importância dos apps, e até elogia a concorrência:

Se você olhar para o que o iPhone fez, nós devemos dar crédito a eles – quero dizer, eles são bastante inovadores em criar essa metáfora com apps e ícones e pinch-and-zoom, eles criaram a categoria e merecem receber crédito por isto. E o Android fez um ótimo trabalho e deve receber o crédito por massificar esse espaço… E não digo que apps não são importantes, porque certamente o marketplace de aplicativos é importante, mas [o Windows Phone] cria experiências integradas.

A questão é repensar a importância dos apps para o sucesso da plataforma. É claro que é legal ter aquele joguinho específico ou um app para apreciadores de cerveja. Mas talvez, para o sucesso de uma plataforma, o mais importante pode ser que tudo funcione direto da caixa, sem precisar necessariamente de passeios por mercados virtuais. O que você acha? [VentureBeat via Android and Me]

 

Foto por Rodrigo Bastos/Flickr