Dez anos atrás, se você quisesse armazenar algumas fotos antigas, você talvez tenha as colocado em um disco rígido grande e robusto que pesava quase um quilo e era muito chato de se carregar. Daqui a dez anos, você talvez armazene todos os dados de sua vida inteira em apenas alguns gramas de DNA.

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Pesquisadores codificaram um filme francês de 1895, um vírus de computador e um cartão de presente de US$ 50 da Amazon, todos embutidos no DNA.

Esta não é a primeira vez que cientistas se voltaram para a dupla hélice para armazenagem. Em 2011, o geneticista George Church, da Universidade de Harvard, foi pioneiro no uso de DNA para armazenamento de dados eletrônicos, codificando seu próprio livro, algumas imagens e um programa Javascript nas moléculas. Um ano depois, pesquisadores do Instituto Europeu de Bioinformática melhoraram o método e hospedaram todos os sonetos de Shakespeare, um clipe do discurso “Eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, um PDF do estudo de James Watson e Francis Crick que detalhava a estrutura do DNA e uma foto de seu instituto em uma pequena partícula de DNA. Em julho, uma equipe da Microsoft e da Universidade de Washington também conseguiu armazenar, de maneira recorde, 200 megabytes de dados em DNA.

Mas era difícil codificar mais do que algumas centenas de letras com dados sem transformá-las em uma bagunça indecifrável de linguagem confusa.

Em seu novo estudo lançado na sexta-feira, na Science, Yaniv Erlich e Dina Zielinski, do New York Genome Center e da Universidade Columbia, respectivamente, detalharam uma importante melhoria. O novo método, chamado de “DNA Fountain”, rifa o que é conhecido como código da fonte, que fatia dados em pedaços e depois os reúne novamente, permitindo que, digamos, um grande arquivo como um filme seja transmitido impecavelmente mesmo com uma conexão terrível. Usando o novo método, eles conseguiram armazenar um total de mais de dois megabytes de dados em 72 mil vertentes de DNA e facilmente recuperá-los. Um dos seguidores de Erlich no Twitter conseguiu até mesmo decifrar o código e recuperar o cartão de presente da Amazon. O método lhes permite armazenar 215 petabytes de dados em apenas um grama de DNA — isso é cem vezes mais do que o que Church conseguiu alguns anos antes.

O DNA como meio de armazenamento faz sentido, afinal, ele já armazena bilhões de letras que codificam a vida. Ele é compacto e durável. Diferentemente do disquete e daquele disco rígido pesado que você costumava carregar, ele nunca ficará obsoleto. Em vez de 1 e 0, o código é escrito com A, G, C e T. Usando o DNA, você pode armazenar todos os dados do mundo em um closet de bom tamanho e mantê-los lá por milhares e milhares de anos.

A técnica DNA Fountain é notável por sua resistência a erros e pela habilidade de maximizar a capacidade de armazenamento do DNA.

Antes que estejamos todos andando por aí com pedaços de DNA em nossos chaveiros em vez de pendrives, no entanto, a técnica de sequenciamento terá de ficar significativamente mais barata. Mas isso pode acontecer mais cedo do que imaginávamos. Neste ano, a Illumina anunciou planos de diminuir o custo do sequenciamento de um genoma humano inteiro para US$ 100. Sequenciar alguns megabytes de dados custaria uma pequena fração disso.

[Science]

Imagem do topo: AP