A preocupação com a privacidade dos usuários tem sido cada vez exigida das principais companhias de tecnologia do planeta.

No entanto, um documento do FBI cedido à revista Rolling Stone mostrou como os dados dos usuários não estão sempre guardados a sete chaves — mesmo quando há criptografia na jogada. Órgãos oficiais e agências ligadas ao governo, afinal, têm várias vias legais para coletar dados confidenciais dos usuários.

O documento é uma espécie de guia interno do FBI que detalha quais tipos de dados as agências de segurança estaduais e federais podem obter de 9 dos maiores aplicativos de mensagens do mundo. Entre eles estão o WhatsApp, do Meta, o iMessage da Apple, o Telegram e o WeChat, app de mensagens instantâneas muito usado na China.

O material reforça que essas informações são acessadas e usadas exclusivamente para a aplicação da lei. Mas como é feita a escolha do que olhar sobre determinado usuário?

No WhatsApp, por exemplo, há diferentes “níveis” de dados disponíveis, conforme o tipo de solicitação. Uma intimação poderá revelar apenas informações básicas do usuário, enquanto um mandado de busca oferecerá a lista de contatos da pessoa, por exemplo.

Vale lembrar que, o WhatsApp conta com o recurso de criptografia de ponta a ponta, que limita o acesso das autoridades a determinadas informações — como o conteúdo real de mensagens.

“Analisamos, validamos e respondemos cuidadosamente às solicitações de aplicação da lei com base na legislação aplicável e somos claros sobre isso em nosso site e em relatórios de transparência”, disse um porta-voz do WhatsApp à Rolling Stone.

Já no caso do iMessage, da Apple, quando a empresa recebe uma ordem judicial ou mandado de busca e apreensão, deve entregar informações básicas do usuário, como 25 dias de dados sobre consultas feitas no iMessage, além daquilo que a pessoa pesquisou e com quem conversou.

Assim como o WhatsApp, isso não inclui o conteúdo real das mensagens, nem como os textos foram compartilhados entre diferentes usuários.

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Em contrapartida, a quantidade de dados disponíveis no iMessage para aplicação da lei é muito maior do que os que podem ser fornecidos pelo WhatsApp. Isso porque, se um usuário faz backup de sua atividade do app no iCloud, o FBI pode solicitar esses backups do dispositivo, incluindo mensagens reais enviadas e recebidas. Ou seja: mesmo com a criptografia protegendo usuários, suas informações ainda podem ser (bastante) vulneráveis.