Esta inscrição em latim identifica esta curiosa besta como “um dragão que foi recuperado pelas mãos do engenheiro Corlelius Meyer”. A imagem vem de um livro de 1696 que Meyer escreveu para descrever seus projetos de construções, e uma gravação na capa diz que ela mostra o dragão como ele era quando vivo em 1691, andando em pântanos próximo a Roma.

Nas mentes de um grupo de criacionistas, o dragão de Meyer evoluiu para algo muito além do que a imaginação do engenheiro consegue chegar. Eles alegam que é um pterossauro – provando que, muito diferente de ter sido extinto há 150 milhões de anos, o dinossauro voador estava vivo em 1691. Eles até o identificaram como um Scaphognathus, um pterossauro que cientistas acreditam que viveu no que hoje é a Alemanha. Os primeiros fósseis foram encontrados em 1831, cravados em pedras calcárias como aquelas que mais tarde resultaram no Archaeopteryx.

Artistas medievais retrataram diversos tipos de dragões, mas o desenho de Meyer é detalhado o suficiente para analisar e identificar ossos, diz o paleontologista Phil Senter da Universidade Estadual de Fayetteville no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Ele e um estudante decidiram aceitar a tarefa de identificar os restos, e agora publicaram os resultados.

Infelizmente para criacionistas e amanters de dinossauros espalhados pelo mundo, a besta era, é claro, falsa, com partes de animais caprichosamente esculpidas. O crânio e a mandíbula vieram de diferentes cães, as costelas de um peixe e um membro posterior é o braço de um urso.

“A pele ostensiva esconde as junções entre as partes de diferentes animais”, disse Senter. “A cauda é falsa. As asas são falsas e não têm nenhuma característica de pterossauro. Nenhuma parte do esqueleto parece com algo de um pterossauro.”

Monstros compostos de taxidermia eram comum nos tempos medievais – o grande Carl Linnaeus se tornou impopular após afirmar que uma hidra de pelúcia do prefeito de Hamburgo era falsa. A peça criada por Meyer aparentemente era boa o suficiente para enganar pessoas no século XVII, quando havia uma predisposição para acreditar em dragões já que mitos locais diziam que eles viviam em pântanos.

Senter especula que Meyer criou a peça para convencer residentes que o dragão local estava morto e por isso não incomodaria a sua recém-construída barragem. Ele certamente não tinha ideia que essa lenda sobreviveria por mais de três séculos.

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