A Organização Mundial da Saúde (OMS) fixou firmemente seu olhar sobre o movimento antivacinação. Em um post nesta semana, a OMS listou a hesitação com relação a vacinas como uma das principais ameaças à saúde do mundo a se combater em 2019, juntamente com outros grandes problemas como HIV, Ebola e mudanças climáticas.

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A nova inclusão (ela não estava na lista da OMS de 2018) é o mais recente reconhecimento do quão perigoso se tornou o movimento antivacinação. Os casos de sarampo aumentaram 30% globalmente entre 2016 e 2017, por exemplo, de acordo com a OMS. Esse aumento no sarampo não é inteiramente culpa do movimento antivacina (a falta de cuidados de saúde acessíveis é outra razão), e as taxas globais de vacinação ainda permanecem altas em países como os EUA, onde há muito tempo é um requisito obrigatório para crianças que entram no sistema escolar. Mas o movimento semeou dúvidas suficientes para criar bolsões de pessoas não vacinadas, com a doença altamente contagiosa podendo se espalhar como um incêndio.

O estado de Nova York, por exemplo, está enfrentando seu pior surto de sarampo em décadas, com mais de 170 casos relatados desde setembro do ano passado e outros 33 casos na vizinha Nova Jersey. Quase todos esses casos aconteceram entre a minoria de judeus ultraortodoxos que evitaram a vacinação e provavelmente trouxeram o vírus de Israel, outro país lidando com surtos do vírus, segundo o Departamento de Saúde do Estado de Nova York. Os Estados Unidos, graças à vacinação obrigatória, é declarado livre de casos de sarampo nativos desde 2000.

“A vacinação é uma das maneiras mais rentáveis de evitar doenças — ela atualmente evita de dois a três milhões de mortes por ano, e mais 1,5 milhão delas poderiam ser evitadas se a cobertura mundial das vacinações melhorasse”, escreveu a OMS.

Não é só o progresso contra o sarampo que os antivacinas ameaçam fazer descarrilar. A vacina contra o HPV deverá reduzir drasticamente a taxa de câncer de colo do útero e outros cânceres, contanto que a cobertura da vacina siga crescendo. Mas o que já não é escassez de propaganda antivacinação e teorias da conspiração em torno dessa vacina.

Pelo lado positivo, mais um triunfo da saúde pública, impulsionado pela vacinação, está prestes a dar frutos. Em 2018, segundo a OMS, havia menos de 30 casos de poliomielite selvagem espalhados em dois países, e a organização espera que 2019 tenha o empurrão final necessário para interromper completamente sua transmissão. Essa será certamente uma vitória que vale a pena comemorar, pois a poliomielite é uma doença devastadora que, antigamente, chegou a matar ou paralisar meio milhão de pessoas, muitas vezes crianças, todos os anos.

As outras ameaças à saúde em 2019 destacadas pela OMS incluem doenças não transmissíveis como diabetes e câncer, uma possível pandemia de gripe (lembrete: tome a vacina contra a gripe), condições de vida como fome e guerra, que tornam as pessoas especialmente vulneráveis, resistência a antibióticos, sistemas de saúde fracos e o vírus da dengue. A mudança climática e a poluição do ar também fizeram parte da lista: entre 2030 e 2050, segundo a OMS, espera-se que a mudança climática cause 250 mil mortes adicionais por ano, devido ao aumento de problemas como malária, estresse térmico, desnutrição e diarreia.

[OMS]