As baleias (subordem mysticeti) são aspiradores do mar. A baleia azul, que é uma das 12 espécies da subordem, é o maior animal do mundo, ou o maior aspirador dos mares. Ela alimenta seu corpo de 200 toneladas comendo pequenos crustáceos chamados krill, que são filtrados por meio de suas cerdas bucais. Novas pesquisas sugerem que, há milhões de anos, o sistema de filtragem dessas baleias — e uma quantidade ridícula de krill — permitiu que esses animais se transformassem em gigantes.

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Um estudo que será publicado nesta quinta-feira, na Proceedings of the Royal Society B, investigou o que pode ser uma evolução relativamente recente do gigantismo em baleias. Um time de cientistas do mundo todo juntou informações de fósseis de crânios de 63 baleias extintas do National Museum of Natural History, em Washington. Alguns desses fósseis de baleia que o time estudou têm até 30 milhões de anos de idade, de acordo com o museu. Em suas análises, os pesquisadores descobriram que baleias gigantes, que podem alcançar até 30 metros de comprimento, começaram a surgir há apenas alguns milhões de anos atrás.

“Podemos imaginar que as baleias ficaram gradualmente maiores com o tempo, como por acaso, e talvez isso pode explicar como essas baleias ficaram tão imensas”, Graham Slater, um co-autor do estudo disse em uma declaração. “Mas as nossas análises mostram que essa ideia não se sustenta — a única forma de você poder explicar como as baleias mysticeti viraram os gigantes que são hoje em dia é se algo mudou em seu passado recente que criou um incentivo a ser gigante e uma desvantagem em ser pequeno.”

Os pesquisadores sugerem que, quando a glaciação começou, antes do início da última idade do gelo, menos de cinco milhões de anos atrás, um escoamento rico em nutrientes das emergentes calotas polares do hemisfério norte foi despejado nos oceanos, ajudando a criar imensas quantidades de krill. As baleias mysticeti provavelmente ficaram encantadas com esse acontecimento, filtrando esses pequenos crustáceos deliciosos. As baleias maiores tinham mais facilidade em capturá-los, de acordo com o pesquisador de baleias Jeremy Goldbogen, da Universidade de Stanford e co-autor do estudo.

“[Nossa pesquisa] rejeita a ideia de que tudo o que foi preciso foram as cerdas bucais para desenvolver o gigantismo”, ele disse ao Gizmodo. “Isso acaba sendo apenas metade da história. Você tem as cerdas, a máquina anatômica necessária para filtrar, mas você também precisa do ambiente para providenciar os tipos de recursos que fazem a alimentação por filtragem incrivelmente eficiente.”

O que conseguimos aprender aqui é que, quando se trata de sobreviver à era do gelo, vale a pena ser um aspirador muito, muito grande. Cercado de krill. Apenas seja uma baleia mysticeti.

Imagem do topo cortesia de Nicholas Pyenson