Com uma nova legislação bem flexível quanto ao meio ambiente a caminho, a Exxon Mobil anunciou alguns grandes investimentos nos Estados Unidos recentemente. Felizmente, os cientistas fizeram uma descoberta que pode ajudar a limpar os inevitáveis derramamentos de petróleo que logo virão.

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O líder da pesquisa, Seth Darling, e sua equipe no Argonne National Laboratory criaram uma esponja que pode absorver até 90 vezes seu próprio peso e despejar o conteúdo de volta para reuso. Os produtos mais comumente usados para limpar derramamentos de petróleo são os chamados “sorbents”, que só podem ser usados uma vez. Feita de plásticos poliuretano ou poliimida e revestida com moléculas de silano, a esponja da Darling and co. pode melhorar em muito o tempo recorde da limpeza de derramamentos de petróleo.

A New Scientist explica como os pesquisadores determinaram a viabilidade de seu projeto em derramamentos de petróleo:

O time fez uma rede de placas quadradas do material esponjoso medindo cerca de seis metros quadrados. “Nós fizemos muita espuma, então esses pedaços de espuma foram colocados dentro de sacos de malha, basicamente sacos de lavar roupa com canais costurados para guardar a espuma”, disse Darling.

Os pesquisadores suspenderam seus sacos cheios de esponja de uma ponte sobre uma piscina especialmente projetada para praticar respostas emergenciais a derramamentos de petróleo.

Eles então passaram as esponjas por atrás de um cano que jogava petróleo cru para testar a capacidade de seu material de remover o óleo da água. Então eles passaram a esponja por um espremedor para remover o óleo e repetiram o processo, fazendo diversos testes durante vários dias.

Darling diz que o novo material “funcionou bem melhor do que a espuma não tratada que nós trouxemos, ou que o sorbent comercial”. Mas a questão se ele pode resistir a pressões do mar profundo ainda precisa ser respondida.

Se essa nova versão da velha esponja virar padrão, Darling espera que “estoques dessa espuma estejam disponíveis próximos a operações marinhas… ou onde exista um grande tráfego de transporte de petróleo ou mesmo nas próprias plataformas… pronta para entrar em ação onde o derramamento aconteça”.

De acordo com o padrão Pipeline and Hazardous Materials Safety Administration, aconteceram 301 derramamentos de oleodutos significativos em 2016 (aqui temos um ótimo infográfico sobre os últimos 30 anos de derramamentos). A limpeza de um derramamento, digamos, do recentemente reinaugurado oleoduto Dakota Access pode não se beneficiar do produto. Mas um incidente como o devastador derramamento da Deepwater Horizon quase que certamente seria um desastre menor se esse novo material pudesse ter sido colocado em ação.

Companhias de petróleo estão esperando uma liberdade muito maior para acabar com o meio ambiente sob a nova administração dos Estados Unidos, e os planos de investimento de U$ 20 bilhões da Exxon em novas instalações podem ser apenas o começo. Com Rex Tillerson, ex-CEO do gigante do petróleo como secretário do estado, uma relação amigável entre a companhia e os reguladores do estado parece estar mais do que assegurada. Ah, e veja só, o comunicado à imprensa da Casa Branca sobre o anúncio usa um parágrafo inteiro do comunicado à imprensa da Exxon. Maneiro. Certamente uma coincidência.

Vamos esperar que os inovadores estejam trabalhando muitas horas extra, porque vamos precisar de uma absorção imensa para o tanto de porcaria que vai vazar nos próximos anos.

[New Scientist]