O Oceano Ártico pode ser bem mais interessante do que pensamos. Apesar de parecer um ambiente inóspito, há muita vida por lá – mesmo sob as camadas de gelo e com luz limitada. Pesquisadores do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha, na Alemanha, mostraram como os seres são capazes de se adaptar e prosperar nestas regiões. O objeto de estudo foi uma colônia de esponjas gigantes, que vive sobre a superfície de um vulcão submarino já extinto no Ártico. 

Os cientistas se questionavam sobre a alimentação destes animais. Basicamente, as esponjas comem através de seus microporos, que absorvem nutrientes encontrados na água. Mas de onde estariam vindo os nutrientes em uma região onde nem mesmo as algas são capazes de crescer? Em um estudo recém publicado na revista Nature Communications, os pesquisadores concluíram que as esponjas de aproximadamente 300 anos estão se alimentando de restos de seres vivos fossilizados, que morreram há milhares de anos. Esta é a primeira vez que este tipo de comportamento é documentado. As esponjas do Ártico não preparam o banquete sozinhas. Elas têm ajuda de uma comunidade de microrganismos que produzem antibióticos a partir do ambiente, o que contribui para a saúde e nutrição destes poríferos.

As esponjas são consideradas uma das formas mais básicas de vida animal. Elas prosperam em todos os oceanos, desde os recifes tropicais até as profundezas do Ártico. E estes seres encontrados próximos ao Polo Norte não deixam a desejar: algumas das esponjas árticas alcançam um metro de diâmetro.  A descoberta vem junto a uma onda de preocupação. Isso porque as mudanças climáticas já estão afetando o Ártico, impactando nas taxas de gelo marinho e, consequentemente, no ecossistema. Para os pesquisadores, é importante identificar a diversidade de espécies do oceano e onde essas habitam para assim tentar preservá-las e mitigar riscos.