Você já ouviu falar em “rei dos ratos”? Como nos ensina a lenda urbana, isso acontece quando ratos ficam presos uns aos outros só pela cauda. Bem, aparentemente, o fenômeno também pode acontecer com esquilos, como alguns moradores de Nebraska, nos Estados Unidos, puderam notar na semana passada.

“Ouvi um grito e e era um barulho que eu nunca tinha ouvido”, disse Craig Luttman, que vive em Elkhorn (Nebraska) e descobriu os esquilos emaranhados, ao Gizmodo. “Estava claro que eles esatavam sob um stress muito grande.”

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Luttman, que notou os seis esquilos presos pela cauda em um pinheiro no quintal de seu vizinho, disse que ele nunca tinha visto algo do tipo. Os bebês esquilo de oito semanas tinham, de alguma forma, conseguido emaranhar suas caudas, e eles estavam com um grande problema.

Detalhe dos seis esquilos emaranhados na árvore. Crédito: Craig Luttman

“Os esquilos não estavam se movendo juntos; eles todos queriam ir para direções opostas”, afirmou. “Era como um cabo de guerra. Eles pareciam cansados es estressados. Aí percebi que ou eles conseguiam se livrar ou todos iriam morrer.”

De fato, se ficassem emaranhados, os esquilos iriam morrer de fome ou serem facilmente caçados por um predador. Preocupado com a situação, Luttman e seu vizinho chamaram a Nebraska Humana Society para ajudá-los que, por sua vez, contataram o Nebraska Wildlife Rehab (Centro de reabilitação de vida selvagem de Nebraska, em tradução livre) para ajudá-los. Ao chegar no local, os especialistas não conseguiram livrar os esquilos, então os seis foram levados para um local em Fort Calhoun.

Laura Stastny, diretora executiva do Nebraska Wildlife Rehab, disse que sua equipe já viu esse tipo de coisa antes, e que infelizmente os esquilos provavelmente se emaranharam dessa forma por causa da seiva da árvore, conforme reportou o Omaha World Herald. Atuando como uma cola, a seiva pode ter feito as caudas dos esquilos ficarem grudadas, e possivelmente, na tentativa de se livrarem, ficaram ainda mais presos uns aos outros.

Antes de separá-los, Stastny deu a eles um analgésico suave. Ela também os cobriu com uma toalha — deixá-los no escuro os torna mais calmos. O primeiro passo era remover a seiva que estava acumulada para, na sequência, separar a cauda deles com cuidado, o que Stastny disse que foi como se ela estivesse trabalhando com uma bola de barbante cheia de nós.

O processo todo levou cerca de uma hora. Os esquilos agora estão sendo monitorados pela equipe, e todos eles serão liberados em algumas semanas. Alguns vão precisar fazer cirurgia para remover partes de suas caudas que foram danificadas durante a separação.

O emaranhamento de caudas é algo comum em roedores — tanto é que existe o termo rei dos ratos, previamente explicado —, embora há pouca evidência de que o fenômeno ocorra de forma natural. Como Lucas Reilly escreveu em um post no Mental Floss no ano passado, “devido à falta de evidências, zoologistas ainda veem com ceticismo esse fenômeno — mas eles estão abertos à possibilidade que eles ocorrem por acidentes.”

Incidentes desse fenômeno são registrados há séculos, com exemplos encontrados na Alemanha, Bélgica, Estônia, Java e Nova Zelândia (aliás, exemplos fora da Europa são mais raros).

Em 2017, um estudo da Estônia publicado no Proceeding of the Estonian Academy of Science, Biology and Ecology sugeria que o fenômeno, embora raro, é real. Embora muitas ocorrências de “rei dos ratos” seja falsa, algumas parecem ocorrer de forma espontânea.

Rei dos ratos preservado no museu Mauritianum em Altenburg, na Alemanha. Crédito: Wikimedia Commons

Esquilos entrelaçados são relativamente comuns, com casos recentes registrados no Maine, nos EUA, e em Saskatchewan, no Canadá. Nesse caso dos seis esquilos de Elkhorn parece bem improvável que o emaranhamento dos animais tenha sido provocado por humanos; o ninho deles ficava no topo da árvore que tem 9 metros de altura e que ficava em uma propriedade privada.

[Omaha World Herald]

Foto do topo por Craig Luttman