Ciência

Estudo em ratos: misturar energético com álcool pode afetar o cérebro

De acordo com um estudo italiano, misturar energético com álcool é algo que pode trazer danos para o cérebro com o tempo.

Quem frequenta baladas sabe que a palavra “combo” é, basicamente, misturar álcool com energético, sendo tão comum na vida notura que aparece até em músicas. No entanto, a mistura entre álcool e energético pode não ser tão legal assim, segundo um novo estudo, que sugere que os ‘combos’ podem prejudicar a função cerebral. 

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Experimentos em ratos mostraram que misturar energéticos com álcool pode causar problemas cognitivos de longo prazo. Os resultados foram publicados na revista Neuropharmacology.

Realizado por um grupo de pesquisadores das Universidades de Cagliari e de Catania, na Itália, o estudo analisou os efeitos do consumo de álcool e energético, separadamente, e também da mistura das duas bebidas, em ratos adolescentes.

Experimentos com padrões diversos, como ressonâncias e testes comportamentais, avaliaram a função cognitiva dos ratos durante 53 dias após o consumo.

Os cientistas dividiram os ratos em quatro grupos aleatórios, sendo cada um sujeito a formas diferentes de tratamentos, correspondendo a consumos excessivos de álcool.

O experimento começou quando os ratos tinham 28 dias de vida, com os pesquisadores inserindo um tubo diretamente no estômago do rato para administrar a substância. O procedimento continuou até que os ratos estivessem com 37 dias.

Um grupo de ratos recebeu uma quantidade de álcool similar à dois drinks consideravelmente fortes para humanos. Outro grupo recebeu o correspondente a duas latas de 375 ml de energético. Já o terceiro, recebeu uma mistura de álcool com energético, enquanto o quarto grupo recebeu água, pois era a amostra de controle.

Resultados

Os testes revelaram que os ratos que consumiram a mistura entre álcool e energético apresentaram mudanças permanentes na capacidade de aprender e relembrar. Além disso, o estudo mostra mudanças no hipocampo do cérebro desses ratos, ou seja, um impacto na área responsável pelo aprendizado e pela memória.

Segundo o estudo, misturar álcool e energético afeta a plasticidade do hipocampo. Isso que prejudica a capacidade do cérebro em se adaptar e mudar ao responder a novas informações e demandas.

Os ratos que tomaram álcool e energético apresentaram, inicialmente, um boost em certas funções e métricas do cérebro, mas com curta duração. A bebida deu “asas aos ratos”, mas, com o passar do tempo, eles chegaram à fase adulta apresentando uma queda na capacidade cerebral.

Entretanto, os resultados do estudo ainda precisam ser confirmados em pesquisas com humanos, pois há diferenças prováveis dos efeitos de energético e álcool entre gêneros devido aos hormônios.

De acordo com o estudo, ainda há pouca informação sobre os efeitos de longo prazo em funções centrais do cérebro pelo consumo de energético e álcool durante a adolescência. 

A questão que o estudo aponta é sobre os riscos desse hábito durante o desenvolvimento do cérebro, por isso o foco é em adolescentes. Aliás, tanto álcool quanto energéticos, bem como a mistura de ambos, são populares entre os mais jovens por diversas razões. Além das festas, muitos jovens tomam energético para passar a madrugada estudando.

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