Ciência

Estudo revela como a Covid-19 pode causar infartos e derrames, entenda

O vírus SARS-Cov-2 influencia o crescimento e a inflamação de placas de gordura nas artérias em pessoas que já possuem doença coronariana
Imagem: Ali Hajiluyi/ Unsplash/ Reprodução

Evidências crescentes mostram agora que o SARS-CoV-2 não é apenas um vírus respiratório, mas também pode afetar o coração e muitos outros órgãos. Estudos anteriores já identificaram diversas consequências da Covid-19 para a saúde cardíaca, como por exemplo o fato de que paciente com a doença desenvolvem hipertensão arterial com o dobro de frequência que outros.

Agora, pela primeira vez, pesquisadores conseguem vincular diretamente o SARS-CoV-2 com a inflamação da placa de gordura nas artérias. Eles identificaram que o vírus influencia o crescimento e inflamação dessas placas, aumentando as chances delas se soltarem, o que pode causar um ataque cardíaco ou um derrame.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Nature Cardiovascular Research.

Pesquisa analisou 27 amostras

Os pesquisadores analisaram 27 amostras de tecidos das artérias coronárias e placas de gordura de oito pacientes idosos que haviam falecido por Covid-19. Todos eles já tinham doença arterial coronariana e foram infectados com as cepas originais do SARS-Cov-2. 

Na análise, os cientistas descobriram que o vírus estava presente nas artérias e colonizava predominantemente os glóbulos brancos, chamados de macrófagos. Eles são células do sistema imunológico que agem contra uma infecção.

Além disso, os macrófagos também absorvem o excesso de gordura do sangue. Quando essas células são sobrecarregadas de lipídeos, acabam se transformando nas chamadas células de espuma, que tendem a aumentar a formação de placa gordurosa nos vasos e artérias.

Então, os pesquisadores coletaram células arteriais e de placa de pessoas saudáveis e infectaram as amostras com o SARS-CoV-2 para comparar os resultados.

A Covid-19 e a formação de placas de gordura nas artérias

De modo geral, a análise revelou três informações importantes. A primeira é que, embora o vírus infectasse mais os macrófagos que outras células arteriais, ele não se replicava neles. 

Contudo, quando os macrófagos estavam carregados de colesterol e se transformavam em células de espuma, o vírus conseguia crescer, se replicar e sobreviver por mais tempo. 

A segunda conclusão é que, dessa forma, placas de gordura nas artérias tendem a aumentar a persistência do vírus ou a gravidade da Covid-19. Isso porque as células de espuma podem atuar como um reservatório de SARS-CoV-2.

Por fim, os cientistas descobriram que os macrófagos e as células de espuma infectadas liberavam uma onda de pequenas proteínas conhecidas como citocinas. Elas são responsáveis por ativar o sistema imunológico, a fim de combater uma infecção. 

No entanto, quando isso acontece nas artérias, as citocinas aumentam a inflamação e acabam formando ainda mais placa de gordura. Segundo especialistas, o estudo identificou que a ruptura da placa pode ser acelerada e amplificada pela presença do vírus.

O avanço na ciência

Embora esta nova pesquisa forneça muitas informações importantes, os cientistas acreditam que muitos novos estudos são necessários a fim de entender completamente as diversas maneiras como a Covid-19 pode alterar a saúde cardíaca.

Por exemplo, os resultados não se aplicam necessariamente a pessoas mais jovens e que não possuem doença arterial coronariana. O quadro também pode não se repetir com novas variantes do vírus, que causam uma doença um pouco mais branda, e nem em pessoas que foram vacinadas.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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