A Sony Pictures foi invadida em novembro, e alguns levantaram a hipótese de que a Coreia do Norte estaria envolvida. Agora, fontes próximas à investigação nos EUA dizem a vários veículos da mídia – New York Times, Associated Press e ABC News – que isso foi mesmo confirmado.

Segundo o NYT, autoridades americanas concluíram que a Coreia do Norte esteve “centralmente envolvida” no ataque à Sony Pictures. Elas dizem que a invasão teve apoio do governo norte-coreano e foi mais destrutiva que qualquer outra vista nos EUA.

No entanto, ainda não está claro se pessoas dentro da Sony Pictures ajudaram no ataque. E também não se sabe como o governo americano descobriu o envolvimento da Coreia do Norte: há anos, a NSA tenta penetrar a rede do país, o que tem sido algo notoriamente difícil de se fazer.

Pesquisadores dizem que algumas evidências públicas já apontavam para a Coreia do Norte. O malware é semelhante ao que foi usado há um ano para atacar bancos e emissoras de TV na Coreia do Sul. Ele também passou por um servidor na Bolívia que foi usado nesse ataque anterior.

Fontes dizem à ABC News que que o malware “foi encaminhado através de vários computadores infectados em diversos locais no exterior, incluindo Singapura, Tailândia, Itália, Bolívia, Polônia e Chipre”. Tudo isso teria sido perpetrado por uma unidade norte-coreana de hackers de elite, conhecida como Bureau 121.

Reação

Os EUA ainda estão decidindo como responder ao ataque. Uma porta-voz do Conselho Nacional de Segurança diz à AP que o governo “está considerando uma gama de opções”. Alguns defendem que Kim Jong-un precisa ser confrontado diretamente, mas não sabem como: um contra-ataque cibernético? Uma guerra física declarada?

Outros dizem que é melhor evitar esse conflito: isso iria apenas satisfazer as vontades da Coreia do Norte, e dificultaria as relações diplomáticas entre o país e o Japão. Além disso, acredita-se que eles usem redes da China para conduzir seus ataques, que acabaria envolvida na situação.

A Entrevista

O governo americano ficou mais preocupado em responder ao ataque depois que a Sony cancelou o lançamento do filme A Entrevista em todos os cinemas. Nele, dois jornalistas conseguem uma entrevista com o líder norte-coreano Kim Jong-Un e, em seguida, são instruídos pela CIA a matá-lo.

O filme estava previsto para ser lançado no dia de Natal. Há uma semana, hackers enviaram uma mensagem dizendo: “Pare imediatamente de exibir o filme de terrorismo que pode acabar com a paz regional e provocar a Guerra!” E na terça-feira, foi divulgada uma mensagem assustadora:

Aviso

Nós vamos mostrar claramente para vocês na hora e local em que “A Entrevista” for exibido, incluindo a estreia, como aqueles que procuram diversão no terror devem ser condenados a um destino amargo.

Logo todo o mundo vai ver como a Sony Pictures Entertainment fez um filme horrível.

O mundo estará cheio de medo.

Lembrem-se do 11 de setembro de 2001.

Recomendamos que você se mantenha distante desses lugares nessa hora.

(Se a sua casa está próxima, é melhor você ir embora.)

O que acontecer nos próximos dias é por causa da ganância da Sony Pictures Entertainment.

Todo o mundo vai condenar a SONY.

Alguns rumores sugeriam que a Sony poderia lançar A Entrevista em video-on-demand, mas nem isso vai acontecer. Um porta-voz diz à Variety: “a Sony Pictures não tem mais quaisquer planos futuros de lançamento para o filme”.

Este precedente pode ser perigoso, indicando que hackers podem mesmo conseguir o que querem com invasões e ameaças. Outros grupos ou países poderiam usar a mesma tática para impedir o lançamento de filmes, livros ou programas de TV que considerem ofensivos.

Na verdade, o estúdio New Regency – associado à 21st Century Fox – planejava fazer um filme de suspense ambientado na Coreia do Norte, estrelando Steve Carell (The Office). Mas, depois de tudo o que aconteceu com a Sony, o projeto foi cancelado.

O FBI ainda não declarou oficialmente que a Coreia do Norte está envolvida, mas isso deve acontecer nos próximos dias, quando os EUA decidirem exatamente como vão reagir. [New York Times, ABC News, Associated Press]