Andar por aí de forma anônima está se tornando cada vez mais difícil devido às tecnologias de vigilância que podem nos identificar por meio de nossos rostos, forma de andar e, agora, até nossos batimentos cardíacos.

O escritório de suporte técnico do Pentágono de combate ao terrorismo (CTTSO, na sigla em inglês) desenvolveu um dispositivo que pode identificar as pessoas baseado na assinatura cardíaca delas usando um laser infravermelho. O dispositivo, chamado Jetson, leva cerca de 30 segundos para identificar um alvo usando o que eles chamam de “vibrometria laser”, uma técnica não-invasiva que observa as vibrações causadas pelo batimento cardíaco juntamente com um algoritmo.

O dispositivo supostamente trabalha a 200 metros de distância por meio de roupas normais, mas não seria eficaz com materiais mais grossos, como um casaco de inverno, conforme informou o Technology Review, do MIT. Pelo fato de levar 30 segundos para identificar a pessoa, eles precisariam estar numa posição estacionária. Por isso, não é tão simples como disparar rapidamente um laser em um alvo. No entanto, com um laser aprimorado, a distância necessária para identificar alguém poderia ser aumentada. “Não quero dizer que seja possível fazer isso do espaço, mas a distâncias longas é possível”, disse Steward Remaly, do CTTSO, ao Technology Review.

Remaly disse que a taxa de acerto do Jetson é de 95% em boas condições e que ainda há melhorias a serem feitas. O dispositivo foi descrito em uma publicação de 2018 do CTTSO como um um projeto feito pela seção de suporte à vigilância, coleção e operações que podem fornecer “identificação biométrica adicional quando condições ambientais e mudanças faciais que dificultam a identificação de sistemas de reconhecimento facial mais comuns”.

Embora o Jetson seja apresentado como uma tecnologia antiterrorismo feita pelo Departamento de Defesa do EUA, não é difícil de se imaginar como tal sistema poderia ser explorado, especialmente se o governo começar a gerar um banco de dados de assinaturas cardíacas exclusivas. Juntamente com os sistemas de identificação biométrica existentes, estamos começando a construir um sistema de vigilância bastante robusto que não pode ser simplesmente evitado usando pintura facial ou uma jaqueta grossa.