A FTC (Comissão Federal de Comércio), agência de proteção ao consumidor dos EUA, chegou a um acordo na semana passada com um notório golpista que trabalhava com companhias de telemarketing e oferecia serviços de suporte técnico a idosos nos Estados Unidos.

Parmjit Singh Brar — o operador das companhias Genius Technologies, LLC e Avantgatee Services, LLC — concordou em pagar uma multa de US$136 mil (o valor original era US$ 7,5 milhões, mas como não podia pagar, o valor foi reduzido). O golpista também não poderá mais oferecer quaisquer tipos de suporte técnico no futuro, efetivamente eliminando suas duas áreas de atuação.

Casal rouba equivalente a US$ 1,2 milhão aplicando golpes na Amazon
Um idoso envolvido no golpe do príncipe nigeriano foi preso nos EUA

O golpe de Brar funcionava da seguinte forma, segundo a FTC: ele fazia acordos com companhias de telemarketing da Índia que contatariam consumidores nos EUA por meio de propagandas pop-up e chamadas não-solicitadas com alertas de segurança. São aquelas propagandas que mostram mensagens do tipo “Seu computador está em risco” ou “Atualização crítica necessária”. Essas propagandas podem ser bobas para usuários que conhecem tecnologia, mas são críveis para quem não é do ramo.

Quando o atendente de telemarketing falava com uma pessoa pelo telefone, ele dizia ser de uma empresa de tecnologia conhecida e tentava convencer o consumidor que havia algo de errado com o computador delas. Se a pessoa fosse convencida, o próximo passo era pedir o acesso remoto ao computador.

Uma vez conectado ao computador da pessoa, o atendente dizia que tinha achado um malware ou alguma outra ameaça, e é nessa hora que ele oferecia a venda de um software de computador de “alta qualidade” para resolver o problema.

É claro que não havia nenhum software. Segundo a FTC, os golpistas instalavam um software desatualizado no dispositivos das pessoas e usavam o processo para roubar informações pessoais dos consumidores sem a permissão deles. As vítimas eram cobradas pelo serviço algumas centenas de dólares pelo serviço de telefone.

No processo original, a FTC diz que vítimas de Brar pagaram mais de US$ 50 mil e uma pessoa chegou a pagar US$ 400 mil somando os muitos anos e que o golpe era efetivo. O processo nota que “milhões de dólares” foram ligados a contas de negócios conduzidos por Brar.

Brar era o cérebro da operação, e parece que ele era bom mesmo em enganar as pessoas. Um dos seus negócios, a Genius Technologies, mantinha uma imagem muito boa. A companhia, que inclusive é mencionada no CrunchBase (um banco de dados com startups), é descrita como “uma empresa de TI que entrega soluções de software confiáveis, de alta qualidade e com baixo custo”.

Sua outra operação, a Avangatee Services, tem um perfil público menos positivo. A empresa tem nota F no Better Business Bureau, um órgão que atribui notas a empresas confiáveis, e um monte de avaliações péssimas no site Ripoff Report, uma instituição que advoga pelos direitos dos consumidores. Uma série de reclamações de usuários já relatava que em uma ligação telefônica de telemarketing, uma pessoa tentaria roubar informações pessoais e acessar dados bancários das pessoas. O profissional tentava oferecer proteção e, no fim, cobrava centenas de dólares das vítimas pelo serviço. No fim das contas, a vítima era infectada por um malware apesar da promessa de que estaria seguro.

Brar é o último golpista a oferecer suporte técnico atingido pela FTC. A agência tem feito esforços em acabar com golpes nos últimos meses, derrubando operadoras de call center na Flórida que roubou US$ 25 milhões no último mês. Se você quiser ter uma noção de como eram essas chamadas, é possível ouví-las no podcast Reply All (em inglês).

[Mercury News e FTC]

Imagem do topo: Getty Images