As autoridades de saúde dos EUA estão supostamente chegando perto de emitir um veredito sobre a necessidade imediata de vacinas de reforço (ou terceira dose) contra Covid-19.

Esta semana, o Wall Street Journal relatou que a Food and Drug Administration (FDA) deve ter um plano para doses de reforço pronto no início do próximo mês, que determina quais populações deveriam recebê-las e quando.

Outros países altamente vacinados estão se preparando ou já começaram a lançar suas próprias doses de reforço, embora algumas autoridades estejam pleiteando pela igualdade da vacina em todo o mundo primeiro.

Na tarde de quinta-feira (05), o Wall Street Journal, citando fontes anônimas, informou que a FDA revelará seu plano de dose de reforço no início de setembro.

A administração de Biden tem pressionado para que uma estratégia surja em breve, devido às preocupações de que pessoas mais velhas e imunocomprometidas possam precisar de um reforço com mais urgência do que outras, devido à diminuição da imunidade ao longo do tempo e ao surgimento da variante Delta mais transmissível e possivelmente mais virulenta.

Alguns dados de Israel sugeriram que pessoas mais velhas vacinadas podem apresentar redução da imunidade após o sexto mês da vacina.

Outros estudos descobriram que grupos de pessoas imunocomprometidas não respondem tão fortemente à inoculação quanto o público em geral e que uma terceira dose pode melhorar significativamente sua resposta imunológica ao vírus.

Nas últimas semanas, fabricantes de vacinas como a Pfizer e a Moderna também têm pedido que reforços sejam implantados a tempo para o outono e inverno.

Ao mesmo tempo, nem todos os cientistas concordam que as doses de reforço são uma necessidade neste momento, especialmente para a pessoa média.

Os próprios dados dos ensaios clínicos da Moderna e da Pfizer sugeriram que a imunidade fornecida pela vacina permanece robusta na maioria das pessoas, pelo menos seis meses depois. Alguns especialistas também questionaram se os dados de Israel são um sinal real de diminuição da imunidade.

Apesar das preocupações com variantes como a Delta, a maioria das evidências continua a indicar que as vacinas fornecem aproximadamente o mesmo nível de proteção contra casos graves da Delta, embora talvez não tanta proteção contra a infecção em um todo.

Outra preocupação que muitos especialistas em saúde pública expressaram é sobre o uso de vacinas para doses de reforço, quando tão pouca gente no mundo está vacinada.

Ontem, a Organização Mundial da Saúde pediu uma moratória sobre as vacinas de reforço até pelo menos o final de setembro ou quando 10% da população de cada país for vacinada.

Ainda hoje, os reguladores de medicamentos da União Europeia afirmaram que não havia evidências suficientes para apoiar o uso de doses de reforço neste momento.

Atualmente, apenas 29% da população mundial está parcialmente vacinada, enquanto 15% está totalmente vacinada, com os países mais pobres tendo taxas de vacinação muito mais baixas do que os países mais ricos, como os EUA.

Apesar dos desejos da OMS ou da UE, parece provável que as doses de reforço estarão a caminho para algumas pessoas. A avaliação da UE veio depois que vários países da UE e o Reino Unido anunciaram que começariam a receber residentes mais velhos em setembro.

Na América, hospitais e clínicas de vacinas já estão tendo que lidar com pessoas que mentem para receber doses de reforço, às vezes escondendo o fato de que já tiveram uma vacina.

Da mesma forma, a cidade de San Francisco anunciou este mês que os residentes que tomaram a injeção de dose única da Johnson & Johnson poderiam obter gratuitamente uma injeção de reforço de mRNA.

Como as vacinas de reforço em geral, isso pode melhorar a resposta imunológica de alguém ao vírus, mas não está claro se é realmente necessário para prevenir os resultados mais graves.

Na última semana, pesquisadores da África do Sul revelaram os resultados de um estudo altamente de profissionais de saúde que receberam a vacina de dose única da Johnson & Johnson. Eles descobriram que a vacina fornecia 91% a 96% de proteção contra morte pela variante Delta e cerca de 71% de proteção contra hospitalização – níveis comparáveis ao seu desempenho contra a variante Beta, a cepa anteriormente dominante no país.

Os resultados, embora ainda não revisados por pares, indicam que a vacina permanece eficaz contra o Delta.

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Muitas pessoas vacinadas certamente não terão nenhum problema em receber uma dose de reforço se aconselhado pelas autoridades de saúde. Mas a questão do momento certo ainda é uma questão complicada e cada vez mais política.